Paris amanheceu com sol e tempo bom. Claro que continua um frio dos infernos, mas o céu azul animou a rapaziada para o último dia oficial de visitas a atrações do périplo europeu peladeirista. Saímos do camping antes das onze da matina e fomos direto para a Torre Eiffel, com o propósito de subir até o último andar – coisa que não conseguimos fazer ontem tendo em vista o horário avançado. No caminho, muita batucada e cantoria, sem contar a exaustiva brincadeira de se falar dos outros em voz alta por saber que eles não entendem desgraça nenhuma. Um busão, dois metrôs e chegamos no gigantesco monumento de ferro visível de quase todo o centro da capital francesa.
Tá, tá, a gente sabe que parece repetição, tipo disco quebrado, mas não dá pra deixar de falar que a Torre é um negócio do outro mundo. Dá uma sensação animal você olhar pra aquele monstro de ferro gigantesco de baixo pra cima, trezentos metros de altura e milhares e milhares de pessoas maravilhadas com a bichona (não, não estamos falando de você Marco Flávio). Tomamos a fila de quarenta minutos pra comprar o ingresso que dá direito a subir na cabine do topo, pela bagatela de onze euros e cinqüenta centavos por pessoa. A fila por si só, porém, é uma diversão: gente de todo canto do mundo, pessoas falando espanhol, francês, inglês, português, japonês e o diabo a quatro. Crianças, muitas crianças, alimentando pombas e brincando.
Uma coisa chamou a nossa atenção, porém (e não só no que diz respeito a Paris, mas também a Londres, Madri e outras capitais): é muito comum se encontrar a famosa plaquinha “beware pickpockets”. Pra quem não sabe, os pickpockets são os conhecidos batedores de carteira, aqueles que vivem do furto de objetos das bolsas e bolsos alheios. Não há lugar turístico que não se veja a tal placa, e na Torre Eiffel elas são ainda mais freqüentes. Também mendigos abundam por aqui, todos visivelmente “importados” de nações do leste europeu e África. Sem contar os insuportáveis fifis (assim nós nomeamos os senegaleses e africanos em geral. A razão não tem nada de preconceituosa, mas a explicação demandaria muito tempo), os quais tentam te pegar pelo braço, amarrar uma fitinha e arrancar uns cobres (a gente se ferrou em Milão).
A vista de cima da Torre é tudo o que se pode esperar dela. Dá pra enxergar quase todos os pontos turísticos, e a gente percebeu ali que andou pra caramba ontem. Vê-se o Arco do Triunfo e o Arco da Defénse, o Louvre, o Hotel des Invalides, a catedral de Notre Dame e tantas outras coisas a que infelizmente o tempo escasso não nos permitiu ir. Carlão ficou com tontura e mau humorado, principalmente em função do vento que arrebenta o caboclo lá em cima. Tirou umas fotos mas passou a corda pro Ricardo, que ainda tá meio rusgado com o gorducho careca. Aliás, senhoras e senhores, finalmente saiu uma foto do maleito: no metrô, saindo da Torre Eiffel e indo em direção à Catedral do Sagrado Coração, aproveitamos o descuido do mini baleia – causado pelo mal estar das alturas francesas – e carcamos dois retratos, que podem ser conferidos abaixo. A gente avisou que muitos iam se surpreender...
E, como dito, após deixarmos a Torre partimos para a lindíssima Sacre Coéur, a Igreja do Sagrado Coração, localizada na região periférica Parisiense no topo de um morro. Por dentro, a catedral é lindíssima, apesar de não possuir, nem de longe, o mesmo esplendor de Notre Dame. Por fora, contudo, a visão impressiona: a Igreja é alva, bem desenhada, e fica mesmo no alto de uma montanha. Chegar lá requer perna forte, já que a escada é longa e inclinada. Na frente, muitos jovens, gente fazendo um som e... fifis tentando amarrar fitinha no braço dos outros. Um chegou a pegar no braço do Marcelo, que retirou violentamente, puto da vida com o sujeito. Mas não rola perigo de agressão, pois eles sabem que mexer com turista é arrumar problema com a polícia. Uma das situações legais é ver a correria deles quando aponta um policial de bicicleta. Embrulham o que dá e saem em disparada.
Retornamos ao camping e, após as providências finais de pagamento e cagamento (Juliano campeão mundial, Naldoni vice brigando pela Taça), tomamos o rumo de Bordeaux, o pit stop de compra de vinhos e ligeiro descanso para a esticada de Madrid. São cerca de 500 quilômetros, mas a gente tá tranquilão, pois o revezamento na volância facilita. Vamos ver se será possível fazer uns velhos do Brasil felizes...
Destaque do jogo: Visão do topo da Torre Eiffel.
O gol mais bonito: Catedral do Sacre Coéur.
O pior do jogo: Fifis da fitinha do braço.
O mais mortinho: Subir a escada da Catedral.
O mais fominha: Juliano, parando pra comer a cada vinte metros.
O garçom: Pequeno destaque para mina brasileira que nos ensinou a ir de metrô até a Catedral.
O lance da noite: Fotos espetaculares, apesar do mal estar do Carlão.
O mais bizarro: Briga de foice pra ver quem cagava primeiro.
