sábado, 17 de novembro de 2007

Que mundo é esse?

Aportamos na liberal e curiosa Amsterdã por volta da meia noite deste dia 16 de novembro, ansiosos por utilizar a madrugada para rodar um pouco pelo centro e já conhecer alguns dos pontos turísticos. É excelente passear nesse horário, pois os locais estão vazios e permitem fotos mais tranqüilas. A iluminação também é um show a parte, os europeus adoram lotar seus monumentos de luzes e flashs, para destacar os centros de suas cidades. Portanto, circular após as dez costuma ser de grande vantagem, exceto pela impossibilidade de fazer compras – a essa hora, as lojas se encontram fechadas. De todo modo, dado a nossa indisponibilidade de tempo, matar uns dois ou três espaços de visita era ótimo negócio.

Contudo, pra nossa infelicidade, não foi fácil encontrar aonde parar o Motorhome. A maioria dos estacionamentos é coberto, e o veículo alto pra cacete, não entra. Parar na rua virou trauma depois de Munique, e ninguém estava disposto a arriscar. Então circulamos por cerca de uma hora até achar um local público descoberto em que a chance de acordar com a polícia fosse menor. Ás seis da matina, tocamos para o camping, mais um sem internet, mas pelo menos com mercadinho e maquina de café. O banho também é pago, 80 cents por 6 minutos. A gente, que imaginava que teria dor de cabeça nos campings mais ao sul, veio quebrar a cara justo em Berlim e Amsterdã...

Tomamos o bumba até a estação central, um belo prédio de tijolos expostos. Se bem que todos os imóveis aqui têm tijolos expostos, deve ser lei urbana. Pegamos a rua principal, compramos umas batas fritas (nosso almoço, um pacote gigante e enjoativo de fritas) e seguimos até a praça central, onde se situa a catedral de Amsterdã, o teatro e o monumento aos Judeus mortos na Segunda Guerra. Deixamo-nos então perder pelas ruas e canais, observando bares, pessoas e lugares, volta e meia parando para comprar souvenirs. Por todo lugar, cheiro de maconha, gente fumando livremente. Dezenas de sex shops pela rua, vendendo todo tipo de produtos não só eróticos, mas verdadeiramente pornográficos. A gente, cinco homens marmanjos e brasileiros, ficou com vergonha. Senhoras, pais e filhos, todos circulando entre postais absolutamente impublicáveis com a maior naturalidade do mundo, e nós, os descolados brazucas, vermelhos de ver aquele aparato inconcebível em uma vitrine verde e amarela.

Os canais de Amsterdã, são o cartão postal da cidade. Impossível não parar e admirar de uma ponte as gaivotas e ônibus aquáticos. Transitando cheios de turistas com suas câmeras passeando pela praça Rembrandt, mijamos num dos vergonhosos banheiros públicos locais (só cobre as partes, nada mais, o resto fica de fora. Vergonha total) e caminhamos até o museu de Anne Frank. Anne era uma judia que viveu escondida na Holanda com sua família por 2 anos durante a guerra. Escreveu um diário contando os dias difíceis que passou. Em 1944, alguém denunciou os Frank, que foram capturados e enviados a diferentes campos de concentração. Todos morreram, exceto o pai de Anne, que sobreviveu a Auschvitz e publicou o diário da filha, hoje em mais de 15 línguas e 13 milhões de cópias vendidas, além de filme (vejam, é muito bom). A casa onde a família ficou escondida, se tornou o museu em que estivemos. Bem, não todos. Enquanto Marcelo, Filipi e Juliano visitavam o museu, Ricardo e Naldoni tomavam cerveja Guinnes às custas de uns gringos perto dali, e viam que a imagem que eles fazem do Brasil se resume em mulher pelada e seqüestradores ladrões de órgãos.


Mais andança e duas paradas estratégicas: Uma para comer a janta (lanche do Subway) e outra para postar o texto e fotos do dia 14 (estamos atrasados, nós sabemos). Por fim o último mas não menos interessante passeio do dia: A Red Light District, onde se concentram os famosos... é... os famosos... Ah, todo mundo é amigo aqui mesmo! Os famosos PUTEIROS de Amsterdã, aqueles em que a mulherada fica se exibindo na vitrine e que agente escuta falar no Brasil. E, pasmem, é ponto turístico como outro qualquer. O que menos se vê ali são jovens ou homens à procura de sexo. Há senhoras, grupos, casais, pais e filhos, gente de todo tipo, velhos e jovens, homens e mulheres, em igualíssima proporção. As meninas se insinuam em roupas íntimas por detrás das vitrines, chamando o povo pra dentro. Há moças bonitas, mas a maioria – extrema maioria – é de aberrações. Talvez nós, brasileiros, acostumados à beleza das mais belas do mundo, sejamos exigentes de mais. De todo modo, é um lugar que quem vai a Amsterdã, qualquer pessoa tem de ir, pois faz parte da cultura local e traduz a imagem da cidade aos olhos do resto do mundo.

Nesse clima, terminamos a noite enchendo a cara de marijuana comprada pelo Carlão, maconheiro de carteirinha. Só um de nós preferiu não entrar na festa do gordo espanhol, mas a gente prefere não dizer quem foi pra não queimar o cara. Se esse texto tá uma porcaria, é conseqüência da canabis ingerida pela moçada e do cansaço ocasionado pela intensidade das mulheres holandesas (calma, namoradas, é brincadeira... bem, mais ou menos. Um de nós não fez nada, mas a gente não vai contar quem foi...)

Amanhã rumaremos para Bruxelas na Bélgica e, ato contínuo, Calais na França, onde tomaremos a balsa em direção a Londres. O Motorhome já está lotado dos adesivos das bandeiras dos países em que estivemos. Quem sabe esse não ajuda a gente a driblar a dura fiscalização dos ingleses...

Destaque do jogo: Canais de Amsterdã.
O mais mortinho: Nós, depois da canabis (menos o que não fumou).
O gol mais bonito: Clima, ótimo hoje – nada de frio!
Lance bizarro: Sex shops e lojas de maconha por todo o canto.
O mais desleal: Cara de um estacionamento em que tentamos parar na chegada.
Lance da noite: Red Light District, interessante demais.
Garçom: Nós, ajudando os vizinhos a desatolar um trailer.
Muralha: Nós, de rocha, 17 dias sem mulher (namoradas, amamos vocês).