sábado, 17 de novembro de 2007

Pagando pra tomar banho

O revezamento permitiu que, por volta das 8:00 da manhã, estivéssemos no camping de Berlin, a postos para mais um dia de andanças. Mas a viagem em si também é digna de comentários. Primeiro, por conta da impetuosa nevasca que enfrentamos na fronteira de saída da Republica Tcheca, um pit-stop para fotos fudidissimas de brincadeiras na neve. Faltou o Naldoni e o Filipi, pregados dentro do motorhome e com medinho do frio. Logo depois, a parada na alfândega alemã, quando o policial nos pediu todos os passaportes e demorou meia hora pra voltar. No momento em que já temíamos problemas, eis que surge uma guardete germânica (mas não loira), de uns 50 anos, fã do Brasil. Usava até pulseirinha do nosso pais e arranhava português. Disse amar o Ronaldinho, que o Massa é ótimo, que o Schumacher é um porcaria de homem e que presta auxilio a uma criança de Rio Bonito. Felizes da vida, deixamos com ela um presentinho, uma moeda de um Real, como recordação. Alias, a gente faz isso sempre que alguém nos ajuda. Os europeus estranham no inicio, pensam que é pagamento pelo auxilio, mas depois, quando compreendem do que se trata, mostram alguma alegria (uns mais, outros menos).

O camping de Berlim é o pior dos que estivemos até agora. Não que seja feio ou sujo, pelo contrario, nesse sentido até ganha da maioria. A desgraça é que não tem porcaria nenhuma. Não há internet, não existe um bar, uma maquina de café, nem mesmo um maldito telefone publico. Para completar a eletricidade não é em valor fixo (o que a torna mais cara), e a gota d’agua: o banho é pago. Isso mesmo, pago. Você deposita 0,50 centavos de euro numa maquininha perto do chuveiro e ganha 4 minutos de ducha. E não tem 1 segundo de chorinho, é no temporizador. De todo modo, a estada em Berlim foi um tesão, como se vera adiante.

Berlim não tem o charme e a elegância de Viena e Praga. Não é uma cidade romântica com construções góticas e estilos pontudos. Ao contrario, é uma metrópole, tal qual São Paulo e Milão, feita de ruas e avenidas largas e movimentadas. O que destaca Berlim é seu conteúdo histórico, a infinidade de locais, monumentos e prédios com vínculos com importantes momentos da humanidade – em especial com a Segunda Guerra e o período que a sucedeu. Se bem que os alemães fizeram algum esforço (algum?) para esconder muita coisa relativa ao conflito mundial – os símbolos nazistas e os nomes dos lideres foram expurgados de quase tudo -, mais ainda é posivel ver a tragédia por todo o canto, tipo ferida aberta no coração da desenvolvida megalópole.

O ponto de partida do passeio foi a Kaiser Wilhem Gedachtriskirche, uma igreja construída no inicio do século passado, gigantesca, fortemente atacada na segunda guerra mundial. Sobrou apenas uma torre, cujo destroços foram preservados e transformados em museu. Arrebentante. De lá paramos para almoçar um Curry wurst, a famosa salsicha alemã no molho de ketchup picante. Seguimos até a coluna da vitória, obelisco/monumento em comemoração da vitória dos prussianos sobre os franceses que resultou na unificação da Alemanha, Então atravessamos o Tiergarten, principal parque berlinense, até a Postdamerplatz, onde tomamos chocolate quente com donuts. Após nos perdermos por culpa dos mapas imprecisos (ou, traduzindo, porque o Marcelo não sabe olhar mapa), encontramos o primeiro museu visitado, Topographie des Terrors. Lá um pedaço sombrio do muro de Berlim e ruínas do prédio em que funcionava a Gestapo (policia secreta nazista) servem de fixação a fotos e textos contando a historia desde antes da guerra até os tempos do muro. Cartas, documentos e relatos de personagens do conflito completam o acervo. Deu pra treinar o inglês.

Próximo do museu em questão fica o Checkpoint Charlie, o ponto de passagem no antigo muro de Berlim. De um lado o pedaço berlinense comandado por EUA, Inglaterra e França; do outro lado a porção soviética da cidade. Ainda se pode ver a cabine de controle dos americanos, e foi erguido ao lado um museu contando historias de centenas de pessoas que tentaram, das formas mais loucas, fugir do lado comunista (umas com sucesso, outras nem tanto). Juliano tirou foto vestido de soldado, e nos compramos até dinheiro russo. Outro lugar que vale o ingresso, especialmente quando se imagina que por muito pouco não começou ali a terceira guerra mundial. Carlão caprichou nas imagens, com a ajuda de um vendedor de rua, o das moedas soviéticas. Da pra se ter uma excelente idéia do que vimos. Mais do que isso, so ao vivo e em cores.

Andamos cerca de 1,5km em direção à avenida Under den Linden, a principal via da cidade. Loja e mais lojas de veiculos, inclusive uma da Ferrari, e vários prédios e praças merecedores de visita. A universidade Rumbolt já teve como alunos Einstein, Marx e os Irmãos Grimm. Defronte, a opera e, ao lado, o complexo de museus (são mais de 4). Adiante, a catedral de Berlim e a Bebelplatz, onde Hitler promoveu a conhecida noite de queima de livros por ele considerados contrários ao regime. No final da avenida a monumental torre de televisão, com mais de 300m de altura, orgulho dos sovieticos. A torre fica na Alexanderplatz, praça central da antiga Berlim comunista, que abriga também a prefeitura atual da cidade. Jantamos no Subway, ligamos para casa e tomamos o ônibus até os ultimos pontos da visita berlinense – o portal de Brandemburgo, único dos 14 portais de entrada da cidade que sobreviveu à segunda guerra, e o parlamento nacional alemao, o Reichstag.

Com tanta coisa num dia só, claro que chegar ao motorhome foi uma das melhores sensações do mundo. Capotamos, quentes e relaxados, dispostos a recuperar energias e tocar o bumba no dia seguinte. Amanha mais uma visitinha em Berlim mesmo (ao Estádio Olímpico) e então vamos a Amsterdam, 700km de chão. Essa não vai ser fácil...

PS: A falta de acentos e pontuacao do texto deriva do fato de o mesmo ter sido digitado pelo Juliano, que nao era grande adepto das aulas da D. Jany. Como nao da pra corrigir nesse teclado horrivel frances, ficou assim mesmo.

Destaque do jogo: Checkpoint Charlie.
O mais bizarro: Juliano tomando uma “pombada”na cara.
Garçom: O cara do hotel que deu 2 mapas, uma água e uma maca.
Fominha: depois do enorme lanche do Subway, ninguém.
Gol mais bonito: A torre de TV
Desleal: Camping que não tinha nada.
Mortinho: Pique pra pegar o ultimo bus da noite.
Lance da noite: O cara tocando ÓRGÃO na igreja.
Muralha: Obviamente, o muro de Berlim.