quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Dia branco

O dia em terras Austríacas começou branco. Branco mesmo, de tanta neve que a gente pegou. O gostoso é que não tava tão frio apesar da nevasca, porque não tinha vento nenhum, só neve mesmo. Cena linda de se olhar, as árvores cobertas, as ruas e casas cobertas, tudo de baixo de gelo, tipo maquete. Chegamos ao camping e, depois de um rápido trabalho de manutenção do gás (dois senhores alemães deram uma força e acabamos conseguindo trocar a desgraça do botijão), rolou um banhão coletivo. Todo mundo feliz da vida tirando a carniça debaixo de água quente, poupando os colegas da catinga infinita que assola o interior do motorhome (pelo amor de deus, moçada, não tirem o tênis). Limpinhos mais uma vez, hora do almoço.
O menu do prestigiado internacionalmente chef de cozinha Felipe Giacomin Naldoni contou com arroix au agle y ogli, salzchiz und motzgliter bis pomotz e chips ahoy souteé. Parando com a frescura, rolou mesmo arroz, salsicha no molho e purê de batata, devorado ferozmente pela tropa junto com a coca cola colocada na geladeira natural (neve do lado de fora do carro). Demos uma atualizadinha no blog com o texto e as fotos já preparados e por volta das cinco e meia tomamos o destino do centro de Viena, via bumba, trem e metrô. Aqui é legal, você compra só um passe e ele vale por uma hora em qualquer transporte público. Tipo o bilhete único da Marta Suplicy, só que de primeiro mundo.
A gente tá cansado de dizer isso, mas não dá pra evitar: Viena é fudidíssima também. Não há um único prédio que não seja simplesmente lindo. Tudo remete ao passado, são estruturas antigas e estilosas, mas conservadas com uma perfeição inacreditável. A Catedral, o prédio do Parlamento, outras Igrejas visitadas, Prédios históricos e administrativos, um mais fantástico do que o outro. Na nossa opinião, essas foram as melhores fotos de até agora. A coisa só não foi melhor ainda porque, após um desentendimento com Naldoni, o Carlão acabou perdendo a cabeça e vazou mais cedo, puto da vida. Mesmo assim, as que já havíamos batido antes estão espetaculares, de cair o queixo. Sabe, tem romantismo no ar nessa cidade. Aliás, romantismo até demais: foi onde mais vimos casais de homo. Sem preconceito; afinal cada qual tem sua preferência sexual nessa turma (Ricardo e Naldoni estão demonstrando isso em suas noites de amor na cama de casal do motorhome).
Rodamos por longas horas pelo centro histórico Vienense. Quando as pernas já não agüentaram mais, fizemos as tradicionais compras de lembrancinhas em uma loja qualquer e entramos no bom e velho McDonalds para forrar o estômago. Cansados de comer sempre a mesma coisa, e também para variar um pouco, pedimos uns lanches diferentões no estilo mexicano, lotados de molho picante. Só o Juliano não quis saber de variar, e acabou engolindo um McChicken mesmo. De sobremesa, um sorvete que não tem no Brasil, que vem com um bolinho por baixo tipão Petit Gateau. Estafados e arrebentados decidimos voltar para o camping e nos preparar para o dia seguinte.
Só que a aventura ainda não havia acabado. Por conta da dificuldade de pedir informação (êta língua morfética), perdemos o trem de retorno. Felizmente, conseguimos encontrar um metrô que ia para o mesmo lado. Só que o tal metrô chegava apenas até cerca de km do camping, e os ônibus já haviam parado de circular. Sem solução tivemos que andar o pedaço final a pé. O único problema eram as casas e parques sinistros durante o caminho. Parecia coisa de filme de terror.
Bom, Viena é do cacete mas a jornada precisa continuar. Deitamos cedo para recarregar as baterias e partir para Praga o mais cedo possível. Ah, uma curiosidade: durante o dia o tempo esquentou e a neve que cobria cada canto de Viena simplesmente desapareceu. Por outro lado, o vento aumentou e a sensação é de que está mais frio agora do que antes. Esperamos pelo menos que não haja chuvas nas próximas paradas.
Até mais e vamos que vamos!!!
Destaque do jogo: Um castelo gigantesco, lindo que a gente nem sabe o que é até agora.
Lance da noite: Catedral de Viena.
Desleal: Uma pessoa X que nos deu uma bronca no trem. Não entendemos nada.
Lance bizarro: O chuveiro, sistema de banheiro de shopping center, daquelas de apertar.
Garçom: Atendente do McDonals que tentou arranhar um espanhol para nos ajudar.
Mortinho: Nós quando chegamos no camping vindos da cidade.
Pior em campo: Perder o ônibus pra voltar pro camping.
Muralha: Goudet, filho único.
Fominha: McPicante e Big Jalapeño (lanches diferentes do McDonalds).