sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Brasileiros e Italianos

Buon Giorno, amici de Brasile!

Manhã tudo de bom em terras européias. Finalmente, depois de setenta e duas horas de pura podreira e putrefação, pudemos provar do prazer de um banho quente e da utilização de um banheiro “semi decente” (namoradas, temos certeza de que nenhuma agüentaria o esquema). Até nós, sujismundos convictos que não tomam banho nem depois de futebol de segunda, fomos obrigados a reconhecer a necessidade de uma chuveirada. Imaginem, tentem imaginar o cheiro de um motorhome com seis homens dentro sem higiene pessoal por três dias, andando que nem cavalos e comendo todo tipo de porcariada. Tava foda, coisa pra gambá ficar com medo. Carlão e Juliano foram os primeiros, já na noite em que chegamos, após o jogo do Inter. O resto ainda esperou a manhã (afinal, o que é uma flechada a mais pra São Benedito?) pra entrar no sabão. Carniça pura.

Banhados e alimentados pela gororoba do Naldoni (empanado de presunto com arroz e salada de tomate), tomamos o circular para o centro da cidade, onde se localiza Il Duomo, a catedral Milanesa. Igreja esplendorosa, estilão gótico, as torres parecem espetar o céu, e a cor branca acentua o aspecto de neve. Logo que descemos na praça, fomos abordados por um grupo de Senegaleses que, cheios de ginga e malandragem, arrancaram umas moedas da gente em troca de umas pulseirinhas vagabundas (um presentinho por um donativo, segundo eles). Milão tem muita gente assim, que vem de países pobres pra tentar a sorte, esmolar ou arrumar ocupação. E, como não poderia deixar de ser, tem Brasileiro pra caramba.

De cara, encontramos duas brasileiras, tia e sobrinha, tirando foto ao nosso lado. Moram lá há muito tempo, a Tia é professora e trabalha com assistência social, a sobrinha conheceu o noivo e ficou por lá. Deram várias dicas interessantes de lugares para compras e visita, além de cuidados que deveríamos ter e países a visitar. Saímos então direto para o segundo ponto da parada, o portal de Vitório Emanuelle, ao lado do Duomo. É uma espécie de praça coberta, difícil de explicar com palavras, um pico sem correspondente no Brasil. Em torno, cafés caríssimos e lojas de grife que ditam a moda do mundo. Ternos bem cortados e roupas femininas da alta costura enfeitam as vitrines, chamando a atenção de moços e moças vestidos como manda o figurino. É como uma São Paulo, mas com os Jardins no lugar da Praça da Sé. Só glamour.

Caminhamos despreocupadamente pelas ruas, olhando as lojas e admirando as pessoas, seu jeito de andar como se fossem modelos fotográficos, de sobretudo, casacos de pele e óculos modernosos. O alto preço das coisas impediu grandes aquisições afora lembrancinhas e souvenirs do tipo adesivo e copinho de mesa. Paramos em uma doceria e tomamos um legítimo gelatto italiano, decerto um dos melhores sorvetes que experimentamos na vida. O de chocolate, com gosto de Danete, é coisa de comer um pote e não parar nem pra limpar a boca. E, por incrível que pareça, bem barato para os padrões locais: só um eurinho e cinqüenta centavos. Quem converte não se diverte.

O que impressiona é o vínculo entre o povo daqui e os brasileiros. Além da brazucada que invadiu a Bota, todo Italiano que se preza conhece alguém do Brasil. O Polícia de ontem tinha um filho brasileiro, o marido da vendedora de sorvete trabalha no Brasil, o Dono do camping tem um monte de amigos no Brasil. De brasileiro mesmo, além de duzentos tirando fotos na cara da Catedral, encontramos mais um que merece toda a glória e comentários do mundo. Mais: merece que seja contada a história que nos levou até ele. Bom, estamos andando pela rua quando avistamos a loja da Ferrari. O Carlão disse que tinha o carro do Massa exposto lá, e a gente foi conferir. Tinha mesmo. Quando circulávamos dentro da loja, o segurança vem e começa conversar em português com a gente. Pronto, brasileiro. Mas isso não é tudo. O cara era... BUGRINO!!!!! Bugrino da Vila Industrial. Delírio completo, quase estouramos de alegria. A torcida do Bugrão é foda mesmo (chupa Naldoni, chupa Gaza), presente no mundo inteiro.

O ponto final do trecho milanês foi o castelo Sforzesco, uma fortaleza no meio da cidade que pertenceu ao Duque de Milão Francesco Sforza. Talento, as muralhas imponentes, faz lembrar filme de guerra da idade média. Fizemos pose, causamos nas redondezas e o Carlão se desdobrou pra tirar fotos, que ficaram lindas apesar da escuridão. Pra variar, como aconteceu em todo lugar, tomamos esporro por entrarmos em lugares proibidos e fora do horário de visita. Foda-se, a gente não é daqui mesmo e nem viemo pra ficá...

O término da história de hoje é que resolvemos dormir por aqui, e sair pra Suíça só amanhã pela manhã. Dia de... chocolate! Hora de capotar, ou ninguém agüenta ver a neve...

Bassos!

Destaque do jogo: Sorvete Italiano de chocolate
O mais Bizarro: Os senegaleses na praça.
O pior da noite: mulher folgada que botou a galera pra trabalhar enquanto lavava o motorhome.
O Garçom: Mulherzinha que vendeu passe pra nós dentro do bumba (a gente nem sabia que tinha que comprar antes)
O mais desleal: moleque inglês de cinco anos com cara de bunda que provocou a galera imitando galinha (demos um carreirão nele...)
O gol mais bonito: Encontrar um bugrino segurança da loja da Ferrari em Milão (não tem preço).
O lance da noite: Macarrão com salsicha.

PS: Até que enfim em dia com o blog...