terça-feira, 27 de novembro de 2007

Umas nueve...

Depois de cerca de seis horas de Estrada, finalmente batemos em Bordeaux, por volta das duas e meia da madrugada. Marcelo e Ricardo, a dupla Diasnâmica, foram verificar o horário de abertura do supermercado (um Carrefour, que, como todos os demais por aqui, possui uma seção de vinhos de fazer inveja a qualquer hipermercado brasileiro), e constataram que o comércio local abriria às oito e meia. Parados no estacionamento, os Peladeiros dormiram sua penúltima noite em solo europeu, dentro de um Motorhome fedidíssimo e sujo ao limite das possibilidades. Nesse ponto, cumpre dar ênfase ao chulé do Filipi, que contamina qualquer coisa em que ele toque. Olha, pode colocar o pé no pinho sol que a coisa tá feia.
Marcelo e Filipi acordaram às oito e quarenta e iniciaram as compras. Sidão, Tonhão e todos os demais aficcionados pela bebida derivada da uva, isso é o seu paraíso. Centenas, milhares de variedades de vinhos das mais distintas castas, e por preços que atraem até quem não gosta. A garrafa mais cara que a gente viu saía por sessenta e cinco euros. As normais, por dois, três ou quatro. Vinhos que no Brasil custam quinze euros, ou quarenta reais, aqui custam dois euros, ou cinco e cinqüenta. Claro que a vantagem é para os produtos franceses, mas é só bebida premiada em festival, com selinho de qualidade e recomendação de especialista. Matamos o boi, e o Marcelo teve que comprar a terceira mala da viagem pra carregar a tralha adquirida.
O povo tomou chocolate quente e comprou mais umas bobagenzinhas, pra matar os últimos presentes faltantes. Onze e meia, demos a partida para o trecho final da maratona, setecentos quilômetros até Madrid, onde o Motorhome deve ser devolvido limpo e asseado (aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhh!!!! Tamo fudido!!!!!). Mais uma vez o trabalho de revezamento de pilotos foi de larga utilidade, e até Juliano, agora conhecido como carregador de batatas – em contraposição ao carregador de porcos Naldoni – assumiu a direção. Isso fez com que ninguém se cansasse, e mesmo o erro de trajeto calculado pelo GPS, que nos obrigou a rodar sessenta quilômetros a mais, não causou grandes danos.
Chegamos ao Camping Arco Íris (iiiiiiiiiiiiiiihhhhh, Biiiiiiiichaaaaaaa!!!!) de Madrid pouco depois das nove da noite. Na entrada, a cena ridícula do dia. Juliano tenta conversar em espanhol forçado com a atendente do local. Quando a mesma lhe pergunta em que horário pretendíamos sair no dia seguinte, ele responde com o mais puro e legítimo sotaque espanhol: “Ah, umas nueve...”. Risada geral. Mas o riso acabou logo, porque aí começou o trabalho árduo. Primeiro, os peladeiros se dividiram em duas turmas: enquanto Ricardo e Naldoni lavavam a louça, Marcelo, Filipi e Juliano caprichavam na parte externa do Motorhome (e usar água num frio daqueles... mães, esperem pela pneumonia). Passou-se, então, aos trabalhos de jantar da Trattoria Giacomin, que fabricou o restante do alimento – arroz, carne de hambúrguer, salsicha no molho e salada de tomate (e ainda sobrou uma penca de coisa... deu dó de jogar no lixo). Nova divisão em grupos, Marcelo e Filipi com a nova louça e os demais na limpeza interna da casa ambulante. Por fim, arrumamos as malas, ajeitando presentes, roupa suja, chocolate e tal. Três da manhã a galera caiu no sono.
Queremos agradecer a todos no Brasil que acompanharam, de uma forma ou de outra, a nossa viagem. Fizemos o possível pra transmitir a vocês um pouquinho do que foi essa espetacular viagem de que, com a ajuda de muita gente, pudemos desfrutar. Contudo, por maiores que fossem os nossos esforços no sentido de passar aquilo que a gente sentia quando estava em determinados lugares, nada pode se aproximar da alegria que experimentamos por compartilhar tudo uns com os outros. Quantas pessoas terão a felicidade, nessa vida, de fazer uma viagem pela Europa ao lado de grandes amigos, conhecer treze países, mais de vinte e tantas cidades? E isso a gente só conseguiu porque tem um monte, mas um monte de gente mesmo segurando as pontas aí no Brasil. Pais, amigos, namoradas, seria injusto citar nomes. Saibam, de verdade, que não houve local em que não pensássemos em cada um de vocês.
Tirando o lance bizarro do Juliano tentando falar espanhol – o que se repetiu agora no Mc Donalds, onde estamos almoçando e nos preparando para o vôo de logo mais – não convém fazer a eleição do dia. Preferimos fazer, sim, a eleição da viagem, a qual segue:

Cidade mais bonita da Europa
Marcelo: Praga
Juliano: Praga
Ricardo: Viena
Naldoni: Viena
Filipi: Paris

Cidade mais legal da Europa
Marcelo: Berlim
Juliano: Londres
Ricardo: Paris
Naldoni: Madri
Filipi: Madrid

Cidade menos legal da Europa:
Marcelo: Bratislava
Juliano: Bratislava
Ricardo: Cardiff
Naldoni: Cardiff
Filipi: Cardiff

Atração mais bonita da Europa:
Marcelo: Prefeitura de Viena e Praça de Bruxelas
Juliano: Sagrada Familia
Ricardo: Torre Eiffel
Naldoni: Torre Eiffel
Filipi: Torre Eiffel

Atração mais legal da Europa
Marcelo: Checkpoint Charlie
Juliano: Madame Tusseads
Ricardo: Madame Tusseads
Naldoni: Madame Tusseads
Filipi: Madame Tusseads

Melhor camping
Marcelo: Viena
Juliano: Viena
Ricardo: Milão
Naldoni: Milão
Filipi: Milão

Pior camping
Marcelo: Paris
Juliano: Berlim
Ricardo: Berlim
Naldoni: Berlim
Filipi: Berlim

Pior atração:
Marcelo: Mijão de Bruxelas
Juliano: Mijão de Bruxelas
Ricardo: Mijão de Bruxelas
Naldoni: Mijão de Bruxelas
Filipi: Mijão de Bruxelas

Lance bizarro da viagem:
Marcelo: Juliano preso na porta do metrô em Barcelona.
Juliano: Juliano preso na porta do metrô em Barcelona.
Ricardo: Juliano preso na porta do metrô em Barcelona.
Naldoni: Juliano preso na porta do metrô em Barcelona.
Filipi: Juliano preso na porta do metrô em Barcelona.

Pior coisa da viagem:
Marcelo: Furto de Alemão no metrô de Barcelona
Juliano: Susto em Munique (porta do Motorhome aberta)
Ricardo: Susto na alfândega inglesa
Naldoni: Susto em Munique (porta do Motorhome aberta)
Filipi: Susto em Munique (porta do Motorhome aberta)

Estádio mais bonito dos vistos:
Marcelo: Allianz Arena
Juliano: Allianz Arena
Ricardo: Allianz Arena
Naldoni: Allianz Arena
Filipi: Emirates Stadium

Até amanhã!!!!!!

Fotos de 26/11

Foto oficial da viagem...
Dando um trato na barca...

Vista pra não esquecer

Paris amanheceu com sol e tempo bom. Claro que continua um frio dos infernos, mas o céu azul animou a rapaziada para o último dia oficial de visitas a atrações do périplo europeu peladeirista. Saímos do camping antes das onze da matina e fomos direto para a Torre Eiffel, com o propósito de subir até o último andar – coisa que não conseguimos fazer ontem tendo em vista o horário avançado. No caminho, muita batucada e cantoria, sem contar a exaustiva brincadeira de se falar dos outros em voz alta por saber que eles não entendem desgraça nenhuma. Um busão, dois metrôs e chegamos no gigantesco monumento de ferro visível de quase todo o centro da capital francesa.
Tá, tá, a gente sabe que parece repetição, tipo disco quebrado, mas não dá pra deixar de falar que a Torre é um negócio do outro mundo. Dá uma sensação animal você olhar pra aquele monstro de ferro gigantesco de baixo pra cima, trezentos metros de altura e milhares e milhares de pessoas maravilhadas com a bichona (não, não estamos falando de você Marco Flávio). Tomamos a fila de quarenta minutos pra comprar o ingresso que dá direito a subir na cabine do topo, pela bagatela de onze euros e cinqüenta centavos por pessoa. A fila por si só, porém, é uma diversão: gente de todo canto do mundo, pessoas falando espanhol, francês, inglês, português, japonês e o diabo a quatro. Crianças, muitas crianças, alimentando pombas e brincando.
Uma coisa chamou a nossa atenção, porém (e não só no que diz respeito a Paris, mas também a Londres, Madri e outras capitais): é muito comum se encontrar a famosa plaquinha “beware pickpockets”. Pra quem não sabe, os pickpockets são os conhecidos batedores de carteira, aqueles que vivem do furto de objetos das bolsas e bolsos alheios. Não há lugar turístico que não se veja a tal placa, e na Torre Eiffel elas são ainda mais freqüentes. Também mendigos abundam por aqui, todos visivelmente “importados” de nações do leste europeu e África. Sem contar os insuportáveis fifis (assim nós nomeamos os senegaleses e africanos em geral. A razão não tem nada de preconceituosa, mas a explicação demandaria muito tempo), os quais tentam te pegar pelo braço, amarrar uma fitinha e arrancar uns cobres (a gente se ferrou em Milão).
A vista de cima da Torre é tudo o que se pode esperar dela. Dá pra enxergar quase todos os pontos turísticos, e a gente percebeu ali que andou pra caramba ontem. Vê-se o Arco do Triunfo e o Arco da Defénse, o Louvre, o Hotel des Invalides, a catedral de Notre Dame e tantas outras coisas a que infelizmente o tempo escasso não nos permitiu ir. Carlão ficou com tontura e mau humorado, principalmente em função do vento que arrebenta o caboclo lá em cima. Tirou umas fotos mas passou a corda pro Ricardo, que ainda tá meio rusgado com o gorducho careca. Aliás, senhoras e senhores, finalmente saiu uma foto do maleito: no metrô, saindo da Torre Eiffel e indo em direção à Catedral do Sagrado Coração, aproveitamos o descuido do mini baleia – causado pelo mal estar das alturas francesas – e carcamos dois retratos, que podem ser conferidos abaixo. A gente avisou que muitos iam se surpreender...
E, como dito, após deixarmos a Torre partimos para a lindíssima Sacre Coéur, a Igreja do Sagrado Coração, localizada na região periférica Parisiense no topo de um morro. Por dentro, a catedral é lindíssima, apesar de não possuir, nem de longe, o mesmo esplendor de Notre Dame. Por fora, contudo, a visão impressiona: a Igreja é alva, bem desenhada, e fica mesmo no alto de uma montanha. Chegar lá requer perna forte, já que a escada é longa e inclinada. Na frente, muitos jovens, gente fazendo um som e... fifis tentando amarrar fitinha no braço dos outros. Um chegou a pegar no braço do Marcelo, que retirou violentamente, puto da vida com o sujeito. Mas não rola perigo de agressão, pois eles sabem que mexer com turista é arrumar problema com a polícia. Uma das situações legais é ver a correria deles quando aponta um policial de bicicleta. Embrulham o que dá e saem em disparada.
Retornamos ao camping e, após as providências finais de pagamento e cagamento (Juliano campeão mundial, Naldoni vice brigando pela Taça), tomamos o rumo de Bordeaux, o pit stop de compra de vinhos e ligeiro descanso para a esticada de Madrid. São cerca de 500 quilômetros, mas a gente tá tranquilão, pois o revezamento na volância facilita. Vamos ver se será possível fazer uns velhos do Brasil felizes...

Destaque do jogo: Visão do topo da Torre Eiffel.
O gol mais bonito: Catedral do Sacre Coéur.
O pior do jogo: Fifis da fitinha do braço.
O mais mortinho: Subir a escada da Catedral.
O mais fominha: Juliano, parando pra comer a cada vinte metros.
O garçom: Pequeno destaque para mina brasileira que nos ensinou a ir de metrô até a Catedral.
O lance da noite: Fotos espetaculares, apesar do mal estar do Carlão.
O mais bizarro: Briga de foice pra ver quem cagava primeiro.

Fotos de 25/11

A torre, o retorno
Foto no topo da torre
Catedral de Sacre Coeur
Ela de novo
Olha quem tá ali...
Finalmente, Carlao!
A cidade vista da catedral


La vie en rose

Paris! Finalmente acordamos relativamente cedo – não tão cedo quanto queríamos, mas em fim de excursão é foda –, e por volta das onze chegamos ao Museu dos museus: O gigantesco e interminável Louvre, com seus quatro andares e centenas (ou milhares) de salas repletas de esculturas, pinturas e objetos de arte em geral. Se você tiver uma semana pra explorar o museu, ainda assim é provável que não consiga ver tudo o que ele tem. Como nós tínhamos um itinerário a seguir, destinamos apenas três horas para uma visita rápida às principais obras de arte, aquelas que você é obrigado a ver – ou, do contrário, ninguém acredita que esteve no Louvre.
Começamos, pois, pela Vênus de Milo (a estátua de uma mulher sem braço. Como diria Tatu, “Vênus de Milo, por que não me abraças?”), passamos pela ala egípcia (com suas tumbas, sarcófagos e hieróglifos), olhamos as pinturas francesas (quadros do tamanho de casas) e terminamos, evidentemente, na ala renascentista, onde ficam a Madonna das Rocas versão sombria (lembram-se que falamos da versão amenizada em Londres?) e a toda poderosa Mona Lisa. Ah, rolou também uma passagem rápida pela sala das jóias da Coroa Francesa, onde vimos as regalias dos poderosos reis locais, notadamente Luís XV, o Rei Sol.
Do Louvre, caminhamos pelas margens do Rio Sena até a Ilé de France, uma verdadeira ilhota no meio do Rio onde, segundo historiadores, começou Paris. Ali fica hoje O Palácio da Justiça, a sede da Polícia e um dos mais impressionantes prédios que vimos na Europa: a Catedral de Notre Dame. É, a do Corcunda. Entramos, tiramos fotos mil, babamos na altura do lugar e na perfeição dos detalhes. É tão fudido que tinha até padre que fala em brasileiro – português do Brasil mesmo – pra quem quisesse se confessar. A gente pensou em dar uma confessadinha, mas teríamos que adiar a viagem em vinte dias pra dar tempo de todo mundo terminar. Deixamos a Igreja, compramos uns regalinhos e paramos para o almoço por volta das 15h00.
Perna pra quem te quero e fomos até o prédio da Sorbonne, a Universidade Parisiense que figura entre as melhores do mundo (mãe, pai, eu ainda vou estudar lá). Andamos pela Boulevard Saint Michel e chegamos ao Palácio de Luxemburgo – esse trecho merece um comentário, a galera cantando bonito e chamando a atenção dos franceses no mais refinado estilo atração de circo. Virou vídeo, claro. Vimos o Panteão (um lugar onde enterraram famosas personalidades que deram a vida pela França, e que parece a Casa Branca Norte Americana) e caminhamos até a Igreja de Saint Sulpice, a do Código da Vinci em que o Silas (o monge careca albino) vai no começo do livro. Outra Igreja espetacular que valeu a visita. Mais perna até o túmulo de Napoleão, localizado em outra Igreja nos arredores, e um pit stop diante do Hotel des Invalides, construído pelo próprio Napoleão para dar abrigo aos soldados franceses feridos permanentemente em batalha.
Cruzamos a iluminada ponte Alexandre III e tocamos rumo à Champs Eliseés, talvez a avenida mais famosa do mundo. Já que atolamos o pé na jaca, paramos para um sorvetinho Hagen Daas de 3,50 euros (ou quase dez reais) e botamos o Carlão pra trabalhar. O gordo reclamou, especialmente porque minutos antes, ainda na sorveteria, brigara com Ricardo, mas acabou mostrando seu talento e caprichou nas imagens. Continuamos pela avenida até o Arco do Triunfo, que é tudo o que se diz dele – imponente, símbolo de poder e de conquista. Passamos por debaixo da avenida – há um túnel especialmente feito para isso – e olhamos a grandiosidade do monumento de baixo. Aí descobrimos que o burro do Marcelo não sabia do tal túnel, e atravessou a avenida de seis pistas correndo da outra vez que esteve aqui. Na próxima viagem, chamaremos o Waguinho pra ser nosso guia.
O ponto final e mais esperado da noite foi a visita à Torre Eiffel. Não há como descrever em palavras o que se sente ao chegar à torre. Basta dizer que se pensa em todas as pessoas queridas que estão no Brasil, e em como gostaríamos que elas pudessem, um dia na vida, vir até aqui e olhar pra essa maravilha. Com seus cerca de trezentos metros e milhares de luzes, é uma visão inexplicável. Queríamos subir até o topo, mas infelizmente o horário de visitas expirara. Voltaremos amanhã, sem sombra de dúvida. E, pra quem não sabe, La vie em rose é o nome da música considerada tema da cidade pelos parisienses. Se você quer ter uma idéia do que é estar em Paris, escute a melodia e feche os olhos. É melhor do que qualquer coisa que a gente possa contar.
Amanhã terminamos a visita a Paris – falta subir na Torre e visitar a Basílica do Sacre Coéur – e seguimos para Bordeaux, para a compra de vinhos final da jornada. “Ai, ai, ai, ai/ tá chegando a hora/ o dia já vem raiando meu bem/ eu tenho que ir embora...”

Destaque do jogo: Torre Eiffel, sem palavras.
Destaque do jogo: Arco do Triunfo
Destaque do jogo: A Catedral de Notre Dame
Destaque do jogo: O museu do Louvre
Destaque do jogo: A Igreja de Saint Sulpice
Destaque do jogo: O Panteão
Destaque do jogo: Paris, Paris, Paris...

Fotos de 24/11

Chegando ao Louvre
Palácio Real
Entrada principal do Louvre
A famosa pirâmide invertida
Vênus de Milo, por que ñ me abraças?
A famosa Mona
Saída do Louvre

Numa ponte qualquer do Rio Sena
Catedral de Notre Dame
O Panteao.
Dentro da igreja de Saint Sulpice
A igreja do túmulo de Napoleao

Na Champs Eliseés
O Arco...
... do Triunfo.
La Tour...
... Eiffel

Porcos, apertem os cintos!

Reta final de viagem, galera absolutamente morta. Acrescente-se uma pitada de total relaxo e desmanzelo e... voilá! Tá pronta a receita da cagada. A gente foi se dar conta de que a balsa saía às onze, e não as onze e meia como pensávamos, somente de manhã, quando o tempo já estava no limite. O GPS acusava como horário de chegada 11h10, e o relógio de nossos pulsos apontava algo em torno das 10h15. Partimos, pois, como desesperados para o trecho de cerca de 120 quilômetros a ser vencido em menos de uma hora exata pretendêssemos chegar a tempo para a travessia ao território francês.
Se você está dentro de um bom carro, dirigindo em mão normal (e não invertida, como é o caso da inglesa), em uma pista que conhece (sabe onde ficam os radares, especialmente), a idéia não é, digamos, tão assustadora. Mas em um jumbo como é o motorhome, na Ing;aterra, em uma estrada X, manter mais de 120 quilômetros por hora de média é tarefa pra Schumacher nenhum botar defeito. Marcelo assumiu a carga, tascou o pé no acelerador e fez o bichinho cantar dobrado. 120, 130, 138 por hora, o trombolho balançava que nem montanha russa de parque vagabundo. Freio? O piloto automático simplesmente não deixava baixar dos 120. E, a cada seis quilômetros, ganhávamos um precioso minuto, que o GPS foi debitando de nosso horário estimado de chegada.
Momento de tensão: O motorhome desgruda do chão. Nossa, deu medo. Foi um breve microssegundo de cagaço, daqueles que dá tempo de pensar “putz, deu merda, por que a gente não saiu antes?”. Nervos recompostos, seguimos o esticadão até cairmos em Dover, o lado litorâneo da ilha da Rainha, às 11h57 exatamente. Comemoramos efusivamente, mas... perdemos a balsa. O saldo positivo foi que, provavelmente por chegarmos dentro do limite de tolerância, não pagamos a multa de atraso. O negativo? Fora o medo desgraçado, a larguíssima probabilidade de termos levado uma senhora multa de radar (se bem que a gente observou que os carros sentavam o pé, todos em maior velocidade que a gente).
A travessia de balsa não foi tão tranqüila quanto a da vinda. O barco balançou demais e deixou o povo mareado, com tontura e sonolência. Acabamos dormindo nos bancos e cadeiras do deck principal, ao agradável som de um maldito garoto francês que brincava com os seus pais gritando feito um louco. Olha, depois de 23 dias de viagem, cansaço acumulado, irritação e et cetera e tal, foi duro agüentar. Mais um tiquitinho e a gente pegava o pentelho e jogava no oceano. Insuportável. Foram 50 minutos que geraram muitas risadas e promessas de assassinato pelo restante do dia.
Do lado francês, paramos no Carrefour em Calais para a última compra européia, além de dar um trato no veículo – ah, ele estava de pneu murcho e sem nenhum combustível. Marcelo e Juliano fizeram a despesa enquanto os demais preparavam a refeição do dia, qual seja, macarrão a bolonhesa e refrigerante. Putz, como a gente toma refrigerante também. O que tem de nego prometendo voltar pra academia aqui não tá escrito. Terminamos o rango, arrumamos as coisas e seguimos para a Cidade Luz, Paris, penúltima escala do roteiro (a última de efetivas visitas), mas não menos aguardada do que as demais.
Chegamos a Paris por volta das dez e meia da noite. Felizmente, não foi tão complicado encontrar um Camping. A parte ruim é que o Camping não tem internet (pra variar) e... meu Deus, como fede essa desgraça de banheiro. Absolutamente nojento. Apanhamos um mapa e fizemos todo o planejamento das visitas de amanhã, as quais devem encolver uma caminhada de – acreditem – cerca de quinze quilômetros. Suportarão os nobres peladeiros mais este desafio com o fim de dissecar por inteiro a capital francesa? Confira o resultado amanhã, neste mesmo bat blog, nesse mesmo bat computador e nessa mesma bat internet. Aliás, cadê o Bátima?
Nota: O título se justifica pela alcunha atribuída ao nosso segundo piloto, Naldoni, o famigerado Carregador de Porcos. A razão do apelido está na maneira pouco sutil com que o caro peladeiro conduz a casa ambulante, fazendo com que os colegas demais passageiros se sintam tal qual suínos sendo transportados para o abatedouro. Demonstrando espírito de concordância com o adjetivo a si concedido, “el rubio caliente”, ao assumir o volante cerca de cem quilômetros antes de Paris, proferiu a frase que encabeça o texto, alertando os amiguinhos para mais um trecho de pura aventura e emoção.
Destaque do jogo: Marcelo e a direção ofensiva rumo a Dover.
O mais bizarro: O cheiro do banheiro do camping. Bizarro é a única palavra que explica.
O pior do jogo: Maldito moleque francês.
O gol mais bonito: A primeira visão de Paris.
O lance da noite: A sessão de vinhos do Carrefour, impressionante.
O mais mortinho: Peladeiros se ferrando e acordando atrasados depois de o celular despertar 132 vezes.
O mais fominha: Tamo passando bem, viu galera?

sábado, 24 de novembro de 2007

E com voces... a rainha!

O produto cria a necessidade ou a necessidade cria o produto?

O nosso retorno a Londres se deu com sol e tempo bom. Isso animou a moçada a tocar pau nas últimas visitas marcadas para a capital inglesa. Demos entrada no camping por volta das 9:00 da manhã, e, depois que a galera terminou as necessidades higiênicas e fisiológicas ( benza Deus! Como caga o Juliano!), dirigimo-nos à recepção para tomar informações sobre como ir ao até o campo do Arsenal. Foi ali que descobrimos, pela boca do simpático funcionário, que o English Team, tomara uma sapecada da Croácia em pleno Wembley na noite anterior, ficando assim fora da Eurocopa 2008. A nota triste é que poderíamos ter assistido ao jogo, mas infelizmente só viemos a saber da partida naquela manhã.

Meia hora de ônibus, mais meia hora de metrô (que os ingleses chamam de “tube”) aportamos no Emirates Stadium, o belíssimo da equipe grená. Por fora, bela viola; por dentro... não podemos dizer nada, visto que o horário de visitas já havia se encerrado (ok, ok, ok, a gente não ia mesmo, era muito caro). Botamos o Carlão pra trabalhar e, tiradas as fotos, fomos até a loja do clube. Loja bonita, lotada de produtos interessantes, mas cara de dar no rim. Cada um apanhou a sua lembrança e retornamos ao metrô com destino a parada seguinte.

Descemos em Candem Town, o espetacular bairro dos punks e undergrounds de Londres. Puta lugar massa! Luzes, gente estranha, movimento frenético, lojas vendendo todo tipo de produtos, desde camisetas que acendem até chapéus em estilo mafioso (o Marcelo comprou um e tá se achando o poderoso chefão). Quem ia ficar doido era o Buiú, com a quantidade e variedade de acessórios totalmente esquisitos. Circulamos 2 horas ou mais pelas ruas estreitas e milhares de barracas de ambulantes. Filipi comprou uma camiseta do “De volta para o futuro”; Naldoni, uma do E.T.; Juliano uma que brilha tanto que chega a doer o zóio; E Ricardo, pra completar, levou uma do Sloth, dos Goonies. Quando o cheiro de comida suja e suculenta começou a doer na barriga, partimos para a terceira etapa do passeio, a London Bridge.

London Bridge que não era o que a gente imaginava. Na verdade, a ponte famosa, aquela com as torres e que abre no meio para a passagem de navios é chamada Tower Bridge, por ficar justamente ao lado da Tower of London. Assim, caminhamos cerca de 1 km margeando o rio Tâmisa até a dita Tower of London, que também não é uma torre, e sim um castelo do século XIII legal pra caramba. Só então cruzamos a tal ponte das torres, que é realmente de cair o queixo, ainda mais quando se imagina que foi construída há coisa de 120 anos atrás. Nem é preciso dizer que o dedo do gorducho comeu solto na maquina fotográfica.

De novo no centro, voltamos à internet dos japas, a mesma do corredor do Van Damme, para atualizar o blog com o texto de ontem e fazer contato com a nave Brasil. Assistimos os melhores momentos do jogo da seleção (que desgraça, hein?) e aproveitamos para dar um pouco de risada reassistindo tradicionais vídeos do you tube – O de “Jesus”é o campeão. Terminada nossa hora de computador, demos um pulo na Pizza Hut e devoramos 3 pizzas grandes inteiras. Aí, quando já tocavam os 12 sinos da meia noite, tomamos o bumba de retorno ao camping – e pegar o busão não foi nada fácil, pois quando a gente estava chegando no ponto vimos o desgramado uns 100m na frente. Ainda bem que as andanças européias deixaram as pernas fortes. Amigos peladeiros do Brasil, a gente vai voltar com tudo!
O último episódio do dia foi o acalorado debate dentro da condução, com o tema título no presente texto. O tumulto causado pelos viajantes incomodou uma insuportável que fazia questão de prestar atenção nos outros, mesmo não entendendo bulhufas. Depois de 20 e tantos dias de Europa, aprendemos bem a resposta pra esse tipo de gente: FODA-SE! A Europa é linda, mas o povo é uma grandiosa merda (opinião do Marcelo).

Amanha é dia de... PARIS!!! Precisamos acordar cedo pra não perder a balsa que sai às 11:30.

Au revoir, mon amis!

Destaque do jogo: Candem Town, a loucura organizada.
Mais mortinho: Todos, depois do pique pra não perder o bumba.
Lance Bizarro: Duas minas se pegando efusivamente no meio da rua.
Pior da noite: Preços proibitivos da loja do Arsenal.
Gol mais bonito: Tower Bridge.
Fominha: 3 pizzas grandes, com borda “cheese bite”da pizza hut.
Muralha: Tower of London
Garçom: Tiozinho do camping.

Fotos de 22/11

Lojinha do Arsenal
Em frente ao Estadio A louca Candem Town
Igreja no centro de Londres
Tower of London
Tower of London, parte II
Tower of London, parte III
Tower Bridge
Tower Bridge, parte II
Tower Bridge, parte III
Em cima da menina...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Você já esteve na Bratislava.... mas e em Cardiff?

É, meu caro Rafones e demais fãs peladeiros espalhados por todos os cantos do globo, nós estamos no País de Gales. Wales, como eles chamam por aqui, é a terra dos Dragões, ou “The Land of Dragons”, tal qual consta das camisetas vendidas nas poucas lojas de souvenirs locais. Nosso camping fica no meio de um parque, chamado Sophia Gardens, um tipo de Taquaral da galera galesa, mas sem a mesma movimentação e – acreditem – com muitos, mais muitos campos de futebol. Há também um rio bonito, de água limpa, e esquilos e árvores. Um show à parte, aliás, são as árvores européias nessa época de outono. Amarelas, as folhas caindo, lembra quadro de casa de vó. A limpeza é impressionante, não há lixo pelo chão, e existe um ar de respeito pelas coisas.

Nossa primeira impressão foi com relação ao número de portadores de necessidades especiais do local. Primeiro, pensamos que o nosso camping fosse destinado, de algum modo, a pessoas com deficiência, tendo em vista os muitos que vimos logo ao deixar o motorhome. No entanto, andando pela cidade voltamos a notar várias outras pessoas com algum tipo de dificuldade, o que indica que ou a cidade favorece o convívio dessas pessoas por estar adaptada às suas limitações, ou se trata de fato de uma característica do povo local. Independente disso, o legal foi ver a integração dos especiais no ambiente, andando de bicicleta, caminhando pela rua, vivendo suas vidas sem problema.

Andamos muito pelo parque, e saímos defronte ao Millenium Stadium, que, até onde pudemos apurar, é a casa do time de Rugby local. Estádio bonito, moderno, ainda em fase de construção, circulado pelo rio que atravessa o parque e que é utilizado até para o treinamento de atletas de remo. Pegamos um mapa no hotel próximo e seguimos pela avenida principal da cidade, que começa exatamente na mais importante atração: O Castelo Cardiff. Com uma torre cheia de ornamento, dourada e com estátuas coloridas, parece um castelo de playmobil. As muralhas são bonitas e bem conservadas, cheias de bandeiras de diversos países (não vimos a do Brasil). Pensamos em fazer a visita interna, mas o alto custo (7,50 libras) desmotivou a galera.

Fizemos troca de moeda (mais barato aqui que em Londres) e comemos no Burger King (um dos piores que já vimos na vida... o lanche do Marcelo e do Ricardo demorou mais de dez minutos pra ficar pronto). Caminhamos pela Avenida principal, uma espécie de Treze de Maio limpa, observando o movimento das pessoas, as lojas, os vendedores, o cotidiano Galês. Vimos a já pronta decoração de Natal, o Santa Claus atendendo a molecada ramelenta e pidona, retornamos pela mesma avenida. Desviamos do curso até a prefeitura e o museu, dois prédios bonitos muito parecidos entres si, mas sem grande poder de impressionar – ora, nós já vimos coisa muito melhor! Fizemos um tempo assistindo a galera que patinava no gelo em um parquinho de diversões, conhecemos os jardins que ficam diante do Castelo e voltamos mais uma vez à avenida principal.

Dali andamos até a Igreja de São João Batista (um dos poucos que ainda gostam da gente, pois não levou flechada – e o que é uma flechada a mais para São João Batista?), bonita e simples, tipo igreja de cidade pequena. Paramos também em uma loja de produtos musicais (adivinha por que?) e babamos (ou Ricardo, Juliano e Filipi babaram) nos equipamentos de alta qualidade e baixíssimos preços. Uma passada na loja de souvenirs, mais três ou quatro quilômetros de perna, paradinha na internet e fim de capital do País de Gales, uma cidade bonitinha mas sem nada que se destaque dentro do universo de maravilhas européias.
Voltamos no mesmo dia para Londres, a fim de descansar por lá e aproveitar o dia seguinte em passeios faltantes na metrópole das metrópoles. Pretendemos ir a Candetown, o bairro punk, à London Bridge, à Tower of London e ao Emirates Stadium, o campo do Arsenal. Se der tempo, Wembley e Notting Hill serão apreciados. Vamos ver. Bucho cheio de arroz e strogonoff (!!!) e colchão. Ah, não sem antes morrer de dar risada com as aparições de Bátima coordenando o trânsito invertido inglês, e desfilando sua pinta de super herói para os duros e frios Londrinos. O vídeo virá logo, fiquem tranqüilos.

Destaque do Jogo: Fica pro castelo mesmo, que não era espetacular, mas era bonito.
O mais bizarro: Motorista de ônibus desrespeitoso que não aguardou um casal de idosos atravessar a rua.
O pior do jogo: O preço pra entrar no Castelo... salgado demais.
O gol mais bonito: De São Pedro. Golaço. Tempo ótimo.
O lance da noite: Reaparição do sumido homem morcego.
O garçom: Carinha que ensinou a gente a chegar na internet
O mais mortinho: Ida e volta no parque após pegarmos o caminho errado.
O mais fominha: Strogonoff noturno. Tava bão!
A muralha: Goudet, que vai ganhar ouro nesse semestre porque é o melhor goleiro do mundo.

Fotos de 21/11

Millenium Stadium
Welcome to Cardiff!
A prefeitura
A biblioteca, que e copia da prefeitura
A prefeitura, e uma torre qualquer...
Tente achar o Naldoni...
Igreja de Sao Joao Batista
A frente do castelo

E sua bela torre...
Leia rapido a placa no alto dessa foto...
Millenium Stadium, novamente...
Trattoria Giacomin, servimos bem para servir sempre...



Rota alterada, parte II

A idéia da galera após a passagem em Londres seria arrancar para Liverpool, entrar na beirinha do País de Gales e tomar a balsa até a Irlanda, para um tour pela charmosa Dublin, sede da fábrica da mundialmente apreciada cerveja Guiness. No entanto, por absoluta falta de tempo e orçamento (as balsas costumam ser excessivamente dispendiosas), resolvemos de último instante modificar pela segunda vez o roteiro traçado ainda no início da viagem. Assim, o que era pra ser Liverpool e Dublin se tornou Cardiff, a capital do desconhecido e inusitado País de Gales, talvez o menos famoso e comentado dos integrantes da Grã Bretanha.

Acordamos cedo, e depois da rápida realização de serviços domésticos imprescindíveis (a treta da noite sempre dá resultado) a Tratoria Giacomin Malatesta tomou a frente na preparação do café, servido à base de pão com manteiga ou queijo cremoso Philadelphia (segundo a escolha do cliente). Então, Marcelo assumiu a volância e acelerador no chão com destino à tal cidade mãe galesa (aliás, quem vem do País de Gales é mesmo galês? E que língua se fala lá além do inglês?). Saímos pela estrada afora e, alguns quilômetros adiante, paramos para as providências de regulação do veículo (o pneu traseiro esquerdo não pára de murchar, tem que ser calibrado a toda hora. Não temos tempo para o conserto, de modo que seguimos do jeito que dá). Como já se iam várias horas desde a refeição matinal, encostamos no estacionamento de uma loja para produzir o rango do almoço.

Só que o povo não agüenta parar diante de uma loja e não dar uma entradinha. E, para a surpresa de todos, o magazine era adequadíssimo em termos de preço. Muita, mas muita roupa de marca em liquidação. Claro que não houve um que deixasse de lado a pechincha, e por mais de hora e meia o povo circulou pelas prateleiras infestadas de blusas, camisetas, tênis e o diabo a quatro. O cartão de crédito mais uma vez piou bonito, e quitadas as sacolas e sacolas de aquisições, retornamos à base para o efetivo ato da alimentação. Macarrão na panela maior, molho à bolonhesa na menor, salada de tomate com pepino num pratinho, e tome massa pra barriga. Desse jeito, nem andando setenta quilômetros por dia a gente vai perder um grama que seja.

Naldoni assumiu a direção e a viagem prosseguiu. Adiante, quase na fronteira entre a Inglaterra e o País de Gales, nossos aventureiros detectam a existência de um pedágio. A placa de aviso indicava 10-20, o que fez com que os peladeiros pensassem, de imediato, que o valor do pedágio variaria entre 10 e 20 libras, a moeda local (cada libra vale entre 1,5 e 2 euros, dependendo do lugar de troca). Aí começa a catança de dinheiro. Ao final, apuramos a quantia total de dezesseis libras e cinqüenta e dois centavos. Oração, momentos de ansiedade e temor. Burros, todo mundo gastou o que tinha em coca cola e bobagem, e agora era o... na mão de cagaço de quebrar a cara. Já pensou?

O pedágio é avistado. Naldoni se aproxima lentamente da cabine, que fica do lado direito. O cobrador fala com Filipi, o passageiro. Filipi, suando frio, pergunta: “How much?” (Mãe, é “quanto?” em Inglês). O homem, com bom humor, responde: “Quanto você acha?”. Filipi, ainda sob tensão profunda: “Dez?”. Para alívio de todos, o homem faz um sinal com a mão indicando menos. O valor era de 5,10 libras, e a gente pôde pagar e passar. Comemoração dentro da casa ambulante, todo mundo comendo chocolate suíço (putz, a gente come nessa viagem). Pouquíssimo chão depois, chegamos a Cardiff, uma cidade à primeira vista com muitas semelhanças com Londres, mas sem o glamour e o desenvolvimento inglês. Se bem que ainda é cedo pra falar, já que a gente só deu um rolezão de carro, até encontrarmos o camping. Nessa noite, por causa da chuva, preferimos ficar no cafofo arrumando a pilha de entulhos que cada qual comprou, além de ajeitar os blogs para posterior postagem (mais um camping sem internet). Cama cedinho e passeio amanhã. Isto é, se Santa Clara der uma força...

Nota: Dada a absoluta ausência de fotos no dia de hoje, seguem alguns vídeos históricos que merecem ser compartilhados com vocês. Bom, se for um só é porque não deu o tempo da net. Aí a gente posta mais em outros dias, ok?

Destaque do jogo: Compras, mais compras de bugigangas.
Lance bizarro: Chegar no pedágio sem dinheiro...
O mais mortinho: São Pedro, com preguiça de desligar a torneira.
O mais fominha: Macarrão à bolonhesa.
O gol mais bonito: Estar no País de Gales. Você conhece alguém que já veio aqui?
O pior em campo: Pára, chuva, pelo amor de Deus!
O lance da noite: Camping de graça... não tinha ninguém na recepção...
A muralha: Tem um castelo aqui em Cardiff!
O garçom: Fica a homenagem ao simpático camarada do pedágio.

Guerra de neve na entrada da Suiça!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O que é um pontinho branco no meio de Londres?

Wake up! Vagabundaiada de pé, após o despertador tocar cento e trinta e duas vezes, para mais um dia de odisséia em solo europeu. Em coisa de uma hora trancamos o motorhome e seguimos de bumba dois andares – aqueles tradicionais ingleses – para o museu Madame Tusseauds, planejado como nossa primeira parada. Só que, como sabemos, os nossos planos nem sempre se concretizam...

De repente, o ônibus, que deveria ir até as proximidades do tal museu, pára. Pára e o motorista grita “ponto final!”, bem em frente ao Prédio do Parlamento (onde fica o Big Ben). “Bom pelo menos a gente tira umas fotos de dia”, a galera pensou. Descemos e Carlão iniciou a sessão flash. Então, nos atentamos para uma muvuca do outro lado da rua, diante da Abadia de Westminster, cujos sinos não paravam um minuto de tocar. Claro que nos aproximamos do reboliço para ver do que se tratava. Eis que a avistamos, o pontinho branco no meio da multidão. Ela, em pessoa, a toda poderosa monarca inglesa, sua Majestade a Rainha Elisabete II, com um vestido e chapéu alvos e milhares de guardas em torno. O gordo subiu na mureta e tascou câmera na velhota. Minutos depois, a Rainha acenou para o povo, que aplaudiu emocionado. Deu pra ver que a turma curte muito a coroa.

Camelamos umas quadras e pegamos outro ônibus, desse vez sim para o Madame Tusseauds. Assim que descemos da condução, demos de cara com a famosíssima Baker Street, a rua de morada do mais conhecido detetive do mundo, Sir Sherlock Holmes. Há nas proximidades uma estátua do pensativo investigador, com a inscrição “The Great Detective” na base. Nós nos perguntamos se o “The Great” a que Ricardo fez referência seria o monumento ao Sherlock. Duvidosos, retratamos o momento e partimos efetivamente para a visita ao museu.

O Madame Tusseauds, para quem não sabe, é o museu de cera mais fudido do mundo, e sua unidade londrina é a top do top. A galera se impressionou com a enorme perfeição das figuras mais diversas, com destaque para Leonardo di Caprio (delícia, chupem namoradas), Silvester Stalone, Jonny Deep em Piratas do Caribe, Whoopy Goodberg e outros tantos espetaculares. Sem contar a travessia da câmara do terror, um lugar onde monstros vivos dividem espaço com alguns bonecos de será e que serve pra assustar, e o passeio no Carrinho pela história de Londres. Também merece comentário o boneco de Adolf, o nosso querido Hitler, com quem todo mundo quis tirar retrato (Marcelo se disse fã inconfesso do ditador... e ainda fala que quer ser presidente), e as estátuas das gostosíssimas Angelina Jolie, Penélope Cruz, Beyonceé e Jennifer López (perdoem-nos, garotas, mas elas são realmente gostosas. Se bem que o George Clooney também é um gato...).

Do museu, que nos custou 25 pounds por cabeça (cerca de 110 reais – facadíssima), retornamos ao centro para a sessão compras na Lillywhite, uma loja de roupas feita para brasileiros – literalmente. Só se ouvia português lá dentro. A razão é o fato de que as roupas estavam bem em conta, em preços mais do que interessantes. A galera tacou o pau no Cartão de Crédito (pais, dó de vocês) e comprou de blusinha feminina a camiseta da seleção inglesa. Hora e meia de aquisições, mais meia hora na loja da Virgin (a produtora de música, jogos e tudo o mais) e seguimos para a nossa última parada do dia, o Palácio de Bickingham. Atravessamos um dos parques reais, observando esquilos e patos, e com meia hora de andança batemos na residência da família real. Juliano e Filipi simplesmente não acreditaram que aquele seria o Castelo da mais importante família britânica, ignorando as afirmações de Marcelo – que já estivera no local – e olhando insistentemente para o mapa da cidade – como se isso fosse fazer o Palácio mudar de lugar. Quando já conformados, posamos para as tradicionais fotos de Sir Charles de España, que tentou dar a Buckingham nas imagens a grandeza que o prédio não tem – em especial quando é visto depois do castelo de Praga, catedral e Prefeitura de Viena, Torre de TV em Berlim e outros tantos monumentos pela Europa.

Perna pra quem te quero, voltamos ao Big Ben, onde ficava o ponto de ônibus de retorno ao camping. Uma última foto da torre do relogião, mais acesa que na noite anterior, e uma passadinha em um boteco de nome sugestivo: Red Lion, homenagem a um de nossos nobres colegas que certamente está vibrando de satisfação ao ler isso. Por óbvio registramos o momento, isso depois de engolirmos com extrema dificuldade uma Guiness escura.

A tretinha pela louça no fim da noite encerrou o décimo nono dia de viagem dos peladeiros. O bom desses arranca rabos é que, de um lado, a galera sempre se esforça mais no dia seguinte pra mostrar serviço (mas não muito, porque vai contra a natureza do pessoal), e, de outro, algumas teorias levantadas acabam sendo comprovadas pelos fatos (como, por exemplo, a teoria de que a galera prefere passar fome do que lavar louça). Noves fora, até a próxima parada, se Deus quiser em País de Gales.

Destaque do Jogo: Ver a Rainha... difícil até pros Londrinos.
Pior do jogo: Buckingham, que decepcionou a galera.
O lance da noite: As compras na Lillywhite... bão de preço.
O gol mais bonito: Madame Tusseauds, fantástico.
O mais fominha: O povo, que passou fome mas NÃO LAVOU A LOUÇA.
A muralha: A quantidade de seguranças em frente a rainha.

Fotos de 19/11

Big Ben, agora de dia
A Abadia
E olhem quem nos vimos pelas ruas de Londres!
Na frente da Scotland Yard
Estatua de Sherlock Holmes
Causante com Jennifer Lopes
Um pouco mais proximos da rainha

So tem santo nessa foto...
Yasser, Saddam, e noi...
Nosso grande amigo Jack Sparrow
Homens-Aranha!

Noi, e o Fuher...
Naldoni curtinte com Bob
We are the CHAMPIONS!
...

O Rei do Futebol e brasileiro!
O do automobilismo tambem!
Noi, e os garotos de Liverpool
Seus muleke safado!
Hyde Park, no cair da noite
Palacio Real
Palacio Real II
Estatua na frente do Palacio Real
Mais uma do relogio pontual
Num PUB, de nome RED LION, tomando umas breja