A novidade do dia, já anunciada no texto de ontem, é o ingresso de um novo membro na trupe dos Peladeiros de Segunda (ou, segundo o povo daqui, los Petaqueros de Lunes). Trata-se de Carlos, carinhosamente conhecido por Carlão, o paparazzi que ficou amigo da galera e resolveu seguir viagem com a gente. A vantagem é que o homem é fera na fotografia, razão pela qual vocês perceberão uma grande evolução de qualidade nas imagens. A desvantagem é que Carlão come pra cacete, ronca que nem um porco e, estamos desconfiados, é meio bicha (a gente não sabe se ele pega, mas se der na mão é bem provável que segure).
O segundo e último dia em Madrid começou com a visita dos agora seis membros da caravana ao Santiago Bernabeu, o Estádio do Real Madrid, maior clube do século XX segundo a FIFA (chupa São Paulo, chupa Barça, chupa Juliano namoradinha do Messi, e chupa Goudet filho único). O Campo é demais da conta, gigante, e dá pra entender porque o Robinho pinta e borda (até o Gaza consegue jogar bem num gramado desses. Bom, o Gaza não, mas o Frodo consegue). As fotos falam por si só (valeu Carlão): coisa de louco. A sala de troféus e o museu mostram bem porque o Real tem torcedor no mundo inteiro, já que há taça de conquista até de campeonato de palitinho. Uma visita que desfalcou o caixinha comum (foram quinze euros por pessoa), mas que certamente valeu a pena.
A parada seguinte foi uma surpresa, típica decisão de última hora: conhecer o Estádio do outro time de Madri, o Atlético. Na mosca! O lugar é tão bonito quanto (ou até mais bonito que) o Estádio do rival. A lojinha proporcionou momentos consumistas de alto nível, tendo em vista que tudo era mais barato (muito embora os produtos fossem iguais ou melhores que os do Real). Para evitar maiores custos em um dia de gastos, preferimos não fazer o tour do Campo, mas deu pra ver que o Atlético faz frente bonito ao grandão. Nota dez.
O último ponto de visita foi a Plaza de Toros, monumento de Madrid e da Espanha, onde ainda acontecem touradas aos domingos. Pena que, por obra de um circo (é, aqui também tem daqueles circos insuportáveis que se instalam e deixam a cidade horrível), a visão ficou ligeiramente prejudicada. Algumas fotos e chegou a hora de deixar a capital rumo à província da Cataluña, e sua estrela Barcelona. Mas não sem antes dar uma passada no supermercado e fazer uma comprinha, de salsicha a frango e macarrão, porque com seis mortos de fome ia ser difícil agüentar seiscentos quilômetros.
O primeiro trecho de viagem foi da hora demais. Galera animada, uns dormindo antes, outros capotando depois. As cidadezinhas do litoral espanhol são muito legais, sombrias, parecem aqueles lugares em que se faz filme de terror, cavadas na pedra e cheias de castelos e igrejas sinistras. O ponto de destaque, porém, foi a terra dos coelhos. Após quase atropelar um que estava no meio da pista, descobrimos que eles são praga por aqui, avistados aos milhares na beira da estrada. Infelizmente, como são selvagens e ariscos, não deu pro Carlão fotografar (“Puerra, que bisos rápidos!”, reclamou o gorducho). Mas a gente viu pelo menos uns duzentos, a cada dez metros se avistava um dentuço correndo ou atravessando a pista.
Chegamos a Barça. Hoje é dia de jogo do Barcelona, descansar um pouco, andar pelos arredores. O Camping é ótimo, de frente pro mar, e perto do trem. Já já estamos indo para a cidade (após um almocinho de autoria do Naldoni, “El rubio español”). Beijo a todos e até amanhã!.
Destaque do Jogo: Lojinha do Atlético de Madrid
Lance Bizarro: Galera tentando falar espanhol (Juliano hour concour).
Garçom: Carinha do Camping daqui de Barcelona e Policial de Madrid.
Pior em campo: O circo na frente da Plaza de Toros.
Mortinho: Todos nós procurando internet em Madrid, foda de achar por incrível que pareça.
Lance da noite: MontBlanc e seus castelos e igrejas sinistros.
O gol mais bonito: Um banho depois de três dias...
