sábado, 17 de novembro de 2007

Curiosidades Européias

Deixamos o camping logo pela manhã, dispostos a uma última parada antes de sair de Berlim: O Olimpic Stadium, estádio Olímpico, obra do governo Nazista e onde aconteceram as Olimpíadas de 1936, além de muitos e muitos discursos inflamados do Füher. O estádio não tem, por fora, a aparência moderna de tantos outros por nós visitados – é de pedra, não tão alto, desenho rústico espartano, de linhas duras e cor de cimento. Por dentro, foi remodelado para a copa, e como não poderia deixar de ser, é muito bonito. Vimos o portal olímpico, a tocha, as placas comemorativas dos campeões dos jogos de 1936 e dos colaboradores da construção do lugar (os nomes dos líderes nazistas, pra variar, foram apagados). A lojinha do clube local, o Herta Berlim, fez a festa do povão, com blusas e gorros bem baratos para os padrões brasileiros.

Assim que tomamos a estrada com destino a capital holandesa encostamos no primeiro posto de gasolina para comer. Trattoria Giacomin foi posta a serviço e, com o apoio sempre providencial do ajudante Malatesta, produziu-se um almoço de arroz, purê de batata ao molho de azeite e alho e peito de frango grelhado. Para acompanhar dois refrigerantes diferentaços, adquiridos por Ricardo e Naldoni ainda em Bratislava – uma limonada e uma cola. Um, um único gole de cada peladeiro, e os refrigerantes viraram suco de pia. É por isso que a Coca-Cola faz sucesso no mundo e os refris Eslovacos não representam grande fatia de mercado. Jesus, foi a pior coisa que já bebemos na vida, um tipo de Pepsi sem gás, achamos que nem a privada merecia tal castigo. Saciados após a compra de refrigerantes decentes, continuamos o trajeto, outro dos mais longos de todo o planejamento.

Não há nada de muito interessante a se dizer sobre esse dia. Paramos na fronteira da Holanda para fotos. Alguns pit-stops em postos para alimentação, alívio fisiológico e guloseimas diferentonas são o resumo do percurso. Uma coisa interessante foi ver um caminhão transportando dois tanques de guerra. Fora isso, estrada e estrada. Chegamos em Amisterdã por volta da meia noite, circulamos muito atrás de estacionamento mas não localizamos coisa alguma. Tivemos que parar bem na periferia, em uma área aberta, de fronte ao Estádio Olímpico. Um ranguinho no posto e todos pra cama, pois às seis da matina seríamos obrigados a dar pista – havia placas por todo o canto, indicando estacionamento proibido entre as 6h00 e 18h00.

Bom, como a história de hoje foi meio limitada, aproveitamos para tratar de assuntos gerais e curiosidades européias. “É mesmo verdade que os europeus param quando a gente vai atravessar a rua?” É. Você bota o pé na rua, o cara breca e espera você atravessar. “Ah, então eles são gente boa, e legais?” Não. São insuportáveis, a maioria é grosseira e escrota. Poucos se salvam. Noventa porcento é carrancudo e responde mal e secamente. “Há mendigos?” Sim. Mesmo com o frio de rachar, há mendigos. Encontramos na Espanha, na Alemanha, na Áustria, Itália... muito menos que no Brasil, claro, mas eles são presentes. Só na Suíça não vimos um único. “O Motorhome é confortável?” Sim, é confortável. Dá pra dormir bem e viajar com muita tranqüilidade, embora seja meio complicada a condução. Por outro lado, se não houver organização de espaço, fica foda. É simplesmente impossível 5 caras tentando fazer coisas (mexer em mala, arrumar, cozinhar, etc) em um espaço de menos de 4 metros quadrados. Então, a gente tenta se organizar na medida do possível. “Tá frio?” Tá. Pra caramba. A neve nem é tão terrível, o que mata é o vento. Dá vontade de chorar de vez em quando. O rosto e as mãos são as regiões que mais sofrem. “Ser brasileiro facilita as coisas?” Às vezes. A gente é relativamente bem visto por aqui, mas há situações em que eles são estúpidos, independente de nossa nacionalidade. Abriu porta em algumas ocasiões, não serviu para nada em outras. “Vocês estão se dando bem?” Claro que sim, muito embora vez ou outra surja algum arranca rabo. A verdade é que é um milagre o pouco que discutimos, tendo em vista o temperamento teimoso dos 5 – SEM EXCEÇÃO. Mas tudo é resolvido democraticamente, o que impede o prolongamento dos problemas. Estilão Big Brother, sempre com flores no final. “O Motorhome tá bagunçado?” Muito. Tem coisa pra todo lado. Quanto mais se compra, mais zoneado fica. Juliano leva um certo destaque no quesito, mas os demais não ficam devendo. É complicado organizar por conta da falta de espaço, e sempre tem um procurando algo perdido. Mas nós temos providenciado limpezas e arrumações regulares, e, tirando o fedor de chulé violento, vamos levando. “Como tá de comida?” Tá passável. As refeições no Motorhome, por incrível que pareça, são as melhores. A gente sai saciado, diferente do que acontece quando comemos lanche ou porcaria na rua. Naldoni e Juliano têm acertado a mão, arroz / purê / mistura, sustentam a galera, além de representar larga economia de recursos comuns. “O que são recursos comuns?” É, esse é o sistema financeiro peladeirista. Cada um dá cinquentão para formar o fundo comum, que serve para quitar despesas como Camping, entradas, transporte, comida, gasolina e outras do grupo enquanto grupo. Só presentinhos e caprichos são suportados individualmente. Tudo é lançado no caderninho de controle. O tesoureiro / ladrão / político safado corrupto é o Marcelo Ganso. Como controle dá trabalho e enche o saco, a gente deixa ele continuar na função, mesmo metendo a mão. Advogado é tudo igual. Certeza que na volta ele vai querer cobrar honorários (e vou mesmo). “As coisas aí são baratas?” Depende. Há coisas muito baratas para o padrão Brasil e outras caras. Comida é muito caro. Roupa varia, eletrônico é barato, perfume e óculos varia.

Deu pra esclarecer alguma coisa? Se alguém tiver dúvidas, daquelas que atormentam e não deixam dormir, enviem-nos que a gente responde. Ah, o Carlão...que que vocês perguntam tanto desse gordo arrependido? É uma baleia espanhola, gente boa (ele que não ouça essa, vai ficar todo pavão), que conhecemos em Madrid e que sabe tudo da Europa e de fotografia. Logo a gente tira uma foto desse bunda e acaba com a frescura.

Hoje não faremos votação, por passarmos o dia todo viajando...

Abraços e beijos.