quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O que é um pontinho branco no meio de Londres?

Wake up! Vagabundaiada de pé, após o despertador tocar cento e trinta e duas vezes, para mais um dia de odisséia em solo europeu. Em coisa de uma hora trancamos o motorhome e seguimos de bumba dois andares – aqueles tradicionais ingleses – para o museu Madame Tusseauds, planejado como nossa primeira parada. Só que, como sabemos, os nossos planos nem sempre se concretizam...

De repente, o ônibus, que deveria ir até as proximidades do tal museu, pára. Pára e o motorista grita “ponto final!”, bem em frente ao Prédio do Parlamento (onde fica o Big Ben). “Bom pelo menos a gente tira umas fotos de dia”, a galera pensou. Descemos e Carlão iniciou a sessão flash. Então, nos atentamos para uma muvuca do outro lado da rua, diante da Abadia de Westminster, cujos sinos não paravam um minuto de tocar. Claro que nos aproximamos do reboliço para ver do que se tratava. Eis que a avistamos, o pontinho branco no meio da multidão. Ela, em pessoa, a toda poderosa monarca inglesa, sua Majestade a Rainha Elisabete II, com um vestido e chapéu alvos e milhares de guardas em torno. O gordo subiu na mureta e tascou câmera na velhota. Minutos depois, a Rainha acenou para o povo, que aplaudiu emocionado. Deu pra ver que a turma curte muito a coroa.

Camelamos umas quadras e pegamos outro ônibus, desse vez sim para o Madame Tusseauds. Assim que descemos da condução, demos de cara com a famosíssima Baker Street, a rua de morada do mais conhecido detetive do mundo, Sir Sherlock Holmes. Há nas proximidades uma estátua do pensativo investigador, com a inscrição “The Great Detective” na base. Nós nos perguntamos se o “The Great” a que Ricardo fez referência seria o monumento ao Sherlock. Duvidosos, retratamos o momento e partimos efetivamente para a visita ao museu.

O Madame Tusseauds, para quem não sabe, é o museu de cera mais fudido do mundo, e sua unidade londrina é a top do top. A galera se impressionou com a enorme perfeição das figuras mais diversas, com destaque para Leonardo di Caprio (delícia, chupem namoradas), Silvester Stalone, Jonny Deep em Piratas do Caribe, Whoopy Goodberg e outros tantos espetaculares. Sem contar a travessia da câmara do terror, um lugar onde monstros vivos dividem espaço com alguns bonecos de será e que serve pra assustar, e o passeio no Carrinho pela história de Londres. Também merece comentário o boneco de Adolf, o nosso querido Hitler, com quem todo mundo quis tirar retrato (Marcelo se disse fã inconfesso do ditador... e ainda fala que quer ser presidente), e as estátuas das gostosíssimas Angelina Jolie, Penélope Cruz, Beyonceé e Jennifer López (perdoem-nos, garotas, mas elas são realmente gostosas. Se bem que o George Clooney também é um gato...).

Do museu, que nos custou 25 pounds por cabeça (cerca de 110 reais – facadíssima), retornamos ao centro para a sessão compras na Lillywhite, uma loja de roupas feita para brasileiros – literalmente. Só se ouvia português lá dentro. A razão é o fato de que as roupas estavam bem em conta, em preços mais do que interessantes. A galera tacou o pau no Cartão de Crédito (pais, dó de vocês) e comprou de blusinha feminina a camiseta da seleção inglesa. Hora e meia de aquisições, mais meia hora na loja da Virgin (a produtora de música, jogos e tudo o mais) e seguimos para a nossa última parada do dia, o Palácio de Bickingham. Atravessamos um dos parques reais, observando esquilos e patos, e com meia hora de andança batemos na residência da família real. Juliano e Filipi simplesmente não acreditaram que aquele seria o Castelo da mais importante família britânica, ignorando as afirmações de Marcelo – que já estivera no local – e olhando insistentemente para o mapa da cidade – como se isso fosse fazer o Palácio mudar de lugar. Quando já conformados, posamos para as tradicionais fotos de Sir Charles de España, que tentou dar a Buckingham nas imagens a grandeza que o prédio não tem – em especial quando é visto depois do castelo de Praga, catedral e Prefeitura de Viena, Torre de TV em Berlim e outros tantos monumentos pela Europa.

Perna pra quem te quero, voltamos ao Big Ben, onde ficava o ponto de ônibus de retorno ao camping. Uma última foto da torre do relogião, mais acesa que na noite anterior, e uma passadinha em um boteco de nome sugestivo: Red Lion, homenagem a um de nossos nobres colegas que certamente está vibrando de satisfação ao ler isso. Por óbvio registramos o momento, isso depois de engolirmos com extrema dificuldade uma Guiness escura.

A tretinha pela louça no fim da noite encerrou o décimo nono dia de viagem dos peladeiros. O bom desses arranca rabos é que, de um lado, a galera sempre se esforça mais no dia seguinte pra mostrar serviço (mas não muito, porque vai contra a natureza do pessoal), e, de outro, algumas teorias levantadas acabam sendo comprovadas pelos fatos (como, por exemplo, a teoria de que a galera prefere passar fome do que lavar louça). Noves fora, até a próxima parada, se Deus quiser em País de Gales.

Destaque do Jogo: Ver a Rainha... difícil até pros Londrinos.
Pior do jogo: Buckingham, que decepcionou a galera.
O lance da noite: As compras na Lillywhite... bão de preço.
O gol mais bonito: Madame Tusseauds, fantástico.
O mais fominha: O povo, que passou fome mas NÃO LAVOU A LOUÇA.
A muralha: A quantidade de seguranças em frente a rainha.