sexta-feira, 16 de novembro de 2007

O duro não é o quente nem o frio. É o quente e frio, quente e frio...

Salve, galera brasileira que acompanha a viagem mais maluca dos últimos dois mil anos! Comando de bordo peladeiro transmitindo mais uma vez, em ondas curtas de amplitude modulada, a saga dos 5 belos jovens (tá, tá, tá, dos 5 jovens só) perambulando sem destino e aprontando confusões (nossa, pareceu filme da sessão da tarde) em terras estrangeiras. Em nosso último relato contávamos o início da viagem de Bratislava, a nada turística capital Eslovena, a Praga, a super turística capital Tcheca, um trajeto relativamente curto (cerca de 350 km) por dois países que até pouco tempo eram um só . Ainda assim, são visivelmente diferentes: a moeda é outra (a da República Tcheca vale um pouquinho mais, apesar de também barata), a língua diferente (pasmem) e o desenvolvimento tem diferenças claras. Mas como diria Jack Estripador, vamos por partes.

O percurso durou um pouco mais do que o esperado, isto é, cerca de 5 horas e meia. Isto em razão da estrada, bastante ruim e cheia de neve, além das paradas para café e verificações rotineiras de funcionamento do motorhome. De todo modo, foi uma viagem tranqüila, sem contratempos afora um probleminha com o limpador de pára-brisa. A tropa chegou a Praga desperta e animada, ansiosos por encontrar um camping com internet e banheiro – as necessidades básicas do povo. Só que rodamos 3 horas e nada de camping. Exaustos e sem alternativa dormimos em um posto qualquer, dispostos a acordar por volta das 7h30 e ir até o único camping que localizamos – que fechava entre as 9h00 da noite e as 7h30 da matina.

Para surpresa de todos, no horário combinado a galera acordou e se dirigiu ao camping em questão. Alguns problemas de ordem técnica (falta de net, chuveiros que só funcionam por 30 segundos com sensor de movimento e uma barreira completa onde o motorhome estacionou) não diminuíram a empolgação da turma em conhecer aquela que é dita uma das mais lindas cidades européias. E o livro guia que usamos não está mentindo: Praga é de verdade um lugar de sonho (é, a expressão é boiola, mas fica essa mesmo). Semelhante a Viena só tem prédios de arquitetura impressionantes, bem projetados e conservados apesar de sua evidente antiguidade. Começamos pela praça central, onde ficam uma das catedrais, a prefeitura e um monumento interessante. A prefeitura chama a atenção por ter um relógio astronômico bastante incomum. Algumas fotos, tiradas pelo Ricardo ou por turistas simpáticos e prestativos (sempre sem a qualidade de nosso ex-amigo Carlão) e seguimos para a região judaica.

Visitamos a Sinagoga de Praga, transformada em lugar de homenagem aos judeus tchecos mortos na Segunda Grande Guerra. Nas paredes foram pintados os nomes dos cerca de 77.000 judeus locais que perderam a vida nos campos de concentração alemães. Depois, passamos pelo cemitério judaico, uma área diminuta que contém milhares e milhares de mortos entre 1400 e 1800 d.C. Como os judeus não dispunham de áreas maiores, enterravam os falecidos um sobre o outro, e dispunham as sepulturas, de todos os tamanhos, irregularmente pelo terreno. Um cemitério de mais de 600 anos absolutamente impressionante, ou “um monte de pedra” na visão histórico analítico positivista dos pesquisadores Juliano Malatesta, Ricardo Dias e Felipe Naldoni. Pra completar, tour na capela anexa, onde se expunham objetos utilizados pelos judeus em seus rituais religiosos nos últimos 5 séculos.

Parada para o almoço em restaurante típico (Marcelo, Ricardo e Naldoni se permitiram experimentar o Goulash, prato tcheco composto de carne e pão). Tocamos a pé para o castelo de Praga, que reúne vários lugares especiais. Começamos pela Catedral de São Vito, esplendorosa, de fazer frente às principais do continente. Após visita ao interior do castelo, sua sala principal, móveis de época, salão do trono e capela, com destaque para o retrato de Juliano defronte a seu tatata ( 17 tata) ravô. Em seguida passagem pela capela de St. George, datada de 940 d.C. e contendo restos mortais de reis do passado, afora uma homenagem à primeira mártir tcheca (se não nos enganamos, Santa Martina). Para terminar, um rolê pela Golden Lane, a rua na qual residiam os empregados do castelo, com suas casinhas, sala de tortura e salas de exposição de armaduras e armamentos medievais.

Do castelo, fomos à famosíssima Charles Bridge, uma ponte adornada com estátuas de santos, muralhas e torres fortificadas. A vista que se tem do castelo a partir da ponte é coisa de maluco. Mas o que nos marcou ali mais do que a própria beleza do local foi o retorno do nosso Carlão. Cena: toca o celular do Juliano. Do outro lado uma voz gorda e rouca pergunta em espanhol emocionado: Donde están mis muchachos?). O Juliano responde: “em Praga, na Charles Bridge”. Surpreendentemente, nesse exato instante a gente dá de cara com o balofo, que começa a chorar e nos abraça paternalmente. Pediu desculpas, abraçou Naldoninho, perdoou nossas mancadas e jurou solenemente se manter na excursão até o termino. Para coroar esse momento de novela dramalhão mexicano, tiramos várias fotos espetaculares. Compras de bugigangas tradicionais, um sorvetinho Hagen Daas e retornamos ao camping visando preparar a continuação da jornada.

Dez da noite, galera acordadaça, melhor partir hoje mesmo. Berlim é a etapa que se avizinha, o coração do grande Reich alemão, a capital de Hitler dividida por 4 nações e um muro famoso após o fim do conflito. Animal, hein?

Referência do titulo: Frase de Ricarne após a sucessivas entradas e saídas de ambientes com calefação, repetida exaustivamente durante o dia.

Destaque do jogo: Vista do castelo do príncipe pela Charles Bridge.
Lance bizarro: Peladeiros dançando na rua, distraindo um caminhoneiro e quase bateu.
Lance da noite: Carlão, o retorno.Garçom: Tiozinho figura em um bar de Praga que fez de tudo para nos guiar ao camping.
Pior da noite: Marcelo derrubando seu Hagen Daas de 2 €, segundos após tê-lo comprado.
Mortinho: Vários, todos empilhados no cemitério judaico.
Fominha: Juliano, pois não comeu o coração de frango acebolado da Trattoria Giacomin.
Muralha: Peter Czech (Chupa Goudet)