Segue a odisséia peladeira em terras européias. Uma agradável noite de sono no camping de Milão e todo mundo bala para seguir ao próximo destino, a gelada Suíça. Rápido café da manhã, Motorhome carregado e... e quem disse que dava partida? Nem sinal do motor. A mania de largar o rádio ligado por horas e horas seguidas finalmente colheu seus frutos, e a desgraça não funcionava nem com reza brava. A primeira tentativa foi fazer pegar no tranco, mas, a despeito dos esforços do povo, nada de sucesso. Então arrumamos um cabo e, lançando mão do nosso talento nato, fizemos uma chupeta com o auxílio de um romeno gente boa, também viajante de Motorhome.
Resolvido o problema técnico, embicamos o bichão rumo a Helvetia, o país da bandeira vermelha com cruzinha branca que não se mete em guerra, fala duzentas línguas e é famoso pelos bancos e chocolates. Demos sorte e nem fomos obrigados a parar na alfândega. Dali em diante, foi só observar a queda de temperatura, que de cerca de quinze graus caiu a nove em menos de 150 km. O pit-stop inicial foi em Belinzona, uma vilazinha cheia de castelos e com vendaval de trincar o copo. Belas fotos tiradas pelo Carlão e uma cena bizonha de Carne fugindo de uma pomba merecem ênfase. Ao final, um Kebab (lanche tipo churrasquinho grego, só que bem melhor) pra encher a pança e, ainda, uma rápida reaparição de Bátima, despertando olhares no sinaleiro.
A temperatura continuou caindo na continuação do trajeto. Antes do túnel de São Gotardo, um dos maiores do mundo, o termômetro já marcava 1,7º C. Nada de neve, porém. Pois foi sair do túnel e o mundo ficou branco, tipo cidade de papai noel. Cena inesquecível, os pinheiros cobertos, os flocos caindo, tudo coberto de gelo. Pra quem nunca viu, é emocionante. Pena que a pista estreita tornou impossível qualquer parada, e quinze minutos adiante já não havia mais neve em solo, apenas nas encostas dos morros. A imagem, contudo, vale cada € gasto para vir até aqui. Conseguimos fazer um pequeno vídeo do momento. Tentamos mais fotos, o Carlão fez o possível, mas não dava pra parar em canto algum. Fica na memória as cenas de cartão postal dos pequenos vilarejos às margens de montanhas cobertas metade de neve e metade de grama verdíssima, e de lagos tremendos de água azul turquesa.
As muitas paradas pelo caminho (inclusive para muda de roupa e uso de acessórios – bota, luvas, gorros) e os congestionamentos enfrentados (foram 3 no total, coisa de hora e meia perdida) determinaram nossa chegada em Zurique as 18h00. Motorhome estacionado, fomos direto comprar chocolate. Uma verdadeira perdição, dezenas de tipos, tudo de marca, deliciosos e baratos. A compra total da galera chegou à casa dos 250 €, algo em torno de R$ 700, SÓ DE CHOCOLATE. Certamente uns bons 3 ou 4 kg. Deu vontade de comprar mais. Uma barra de Lindt, das melhores do mundo, que no Brasil custa cerca de R$ 12, aqui sai por 1 €, ou R$ 2,67. Claro que compramos vários para consumo imediato, sobremesas após as refeições de alta qualidade do mestre Giacomin (Naldeco, “el rubio”).
Andamos pelo centro os 6 admirados com a beleza e perfeição. Não há uma sujeirinha, tudo está no lugar, as pessoas são simpáticas e solicitas e os veículos (carros e trens) param quando a ente faz a simples menção de atravessar a rua. Há um rio que cruza o meio da cidade, limpo e sem odor, lindo. Igrejas e prédios bem desenhados completam o visual. Cada pequena coisa está exatamente onde deveria estar. Talvez seja por isso que a taxa de suicídio dos suíços é alta: dá melancolia essa falta absoluta de problemas. Transporte público eficiente, máxima segurança, o povo mais bonito da Europa, o camarada tem que se matar mesmo. E não encontramos a penca de brasileiros de outros lugares (só uma moça que riu da gente quando passamos cantando “Fio de Cabelo”). Quem sabe a perfeição esteja associada justamente `a falta de brazucas, hehehe.
No jantar, um pequeno abuso: por 17 € cada, entramos no “festival do espaguete”, comer quanto macarrão quiser com 5 tipos de molho. Delícia de gororoba, valeu a pena apesar do custo. Saímos redondos do restaurante, uma cantina italiana bem legal. Retornamos cansados ao Motorhome e nos preparamos para dormir (na rua, acreditem). Bem tranqüilo, afora os bêbados escandalosos que cantavam Madonna mia e faziam declarações de amor às 2 da matina. Foi uma noite de sono razoável, atrapalhada somente pela nossa própria burrice, pois não acendemos a calefação no máximo e o bagulho ficou tal qual uma geladeira...
Hora de passear mais por aqui. Tschüss! (tchau em alemão, hehehe). Ah, o título? Mais uma das famosas frases repetidas 12 milhões de vezes pela turma, em alusão à insuportável mocinha portuguesa do GPS, à qual Carlão fanfarrão deu o nome de Gisele Pinto Sá. Se essa desgraça de aparelhinho não fosse tão importante, certeza que já tava estourado na parede.
Destaque do jogo: Neve após o túnel de São Gottardo.
Pior do Jogo: Juliano jogando papel no chão.
O mais desleal: Juliano quebrando a porta do banheiro do Motorhome.
Lance bizarro: Filipi falando durante a noite EM ESPANHOL.
Gol mais bonito: Chocolates, muitos chocolates!
Fominha: Excelente jantar na Festa do Espaguete
Muralha: Castelos de Belinzona
Mortinho: Carne dormindo no banco da frente
Garçom: Romeno que nos ajudou com a bateria.
