domingo, 18 de novembro de 2007

Road to London

Grande comunidade peladeiristica dos quatro cantos do Brasil, good morning. Fim da etapa de Amsterdã, hora de olhar adiante para o nosso próximo destino agendado: a esplendorosa Londres, cidade de glórias e glórias jamais invadida por quem quer que fosse, talvez uma das paradas por quem os nossos colegas de tropa mais ansiavam em toda a viagem. Pois bem, acordamos cedo pra dar um trato nas tralhas (o Motorhome estava impraticável, um chiqueiro que até porcos como nós já se incomodavam), tomar um banho de leve e, como se diz no bairro do Ricardo e do Marcelo, vazar da biqueira. E o banho foi justamente a primeira desgraça do dia: não bastasse ser pago (oitenta centavos de euro por seis minutos), rolou uma pane elétrica e os chuveiros não funcionavam. O rapaz da manutenção nos indicou um segundo lavatório, com dois boxes, lá na outra ponta do camping. Foi outro pra entrar na lista dos piores da vida: lugar geladíssimo, sujo e molhado. Ainda assim a galera enfrentou, pois a catinga já impregnava forte). Tomamos um cafezinho, pagamos a conta e pé na estrada. Bom, ainda não, primeiro um almoço. Fizemos nova compra em supermercado e a tratoria Giacomin Malatesta caprichou no strogonoff de frango, acompanhado de arroz, batata chips, salada e iguarias diversas tais como salsichas, azeitonas e queijo suíço (mordam-se de inveja, pobres).

No caminho, a paisagem da Holanda é digna de enfoque. Chegamos a parar o carro no acostamento na beira da pista e correr pra tirar uma foto junto a um moinho. Também clicamos ao lado da placa de entrada na Bélgica, sob uma multidão e balões que provavelmente faziam um show ou encontro por ali. Coisa de duas horas, demos (sem maldade) em Bruxellas, a capital Belga eleita por nós como pit stop em um confronto com Bruges. O manual dizia que Bruges era mais interessante, mas nós preferimos aportar na cidade mais importante, especialmente porque as atrações do Guia nos pareceram mais “chamativas”, digamos assim. Bruxellas, então. E a cidade vale mais que as horas que dispensamos. Só a praça central, totalmente rodeada por prédios do final do século dezessete, paga o ingresso. Eleita de imediato por todos como uma das vistas mais lindas até agora apreciadas, são igrejas e outras construções de estilo gótico, pontudas e detalhadamente desenhadas, e no centro o pátio onde as pessoas circulam e os flashes comem solto.

Pela rua principal caminhamos até a estátua do mijão, um símbolo da cidade. Trata-se de uma escultura destruída e reconstruída, roubada e reconquistada muitas vezes, com anos e anos de existência. Uma verdadeira decepção. O mijão, um molequinho mijando mesmo, tem cinqüenta centímetros de altura e fica rodeado de turistas tontos cheios de orgulho daquela porcaria. Olha, a gente leu a história do negócio, sabia o que tava vendo, e ainda assim não impressionou. A visita a ele só ganhou ponto positivo porque, ao lado, comemos um legítimo waffle belga coberto com chocolate derretido quente e encontramos... um brasileiro! O cara, um tal de Jaime, toca trombone em uma orquestra, tem cerca de cinqüenta anos e vive faz tempo na Europa. Gente boníssima, nos ajudou a encontrar um ponto de internet onde pudemos atualizar o blog e verificar os horários da balsa para a Inglaterra. O desfecho da parada Belga tem mais duas situações que merecem citação: Juliano, sempre ele, usando o banheiro feminino de um bar sem saber pra lançar um número dois daqueles agradáveis e a música brasileira tocando em um boteco de esquina (imagina se a gente não deu um relaxo monstro que despertou curiosidade de toda a gringaiada ao redor).

Motorhome lotado e nove da noite a gente tocou pra Callais, no extremo norte da França, o ponto onde se pega a Balsa rumo à Inglaterra. Duzentos quilômetros de chão. Chegamos, compramos os caríssimos bilhetes (ida e volta por exatos duzentos e trinta e quatro euros) e... e começou a diversão/ tensão. Era hora de encarar a reticente e embaçadíssima imigração inglesa. Encostamos na cabine de acesso, a mocinha solicitou os passaportes. Minutos de análise e ela nos manda estacionar e adentrar no escritório de imigração. Ai, ai, ai, ai, ai... uma vem e, com a companhia do Marcelo, revista o Motorhome inteirinho (impende destacar que Naldoni, pra completar, tinha acabado de peidar dentro do veículo, tornando o ambiente absolutamente NOJENTO). Depois, todos na fila do balcão do escritório de imigração preenchem uma ficha de dados (menos o Juliano, com esse passaporte Italiano fajuto que ele comprou na 25 de março). Aí, cada um dos atendentes chama um dos peladeiros. Filipi não tem problemas, poucas perguntas e sussa. Naldoni, com o apoio de Juliano, explica que vai estudar em Dublin e escapa de confusão. Marcelo passa tranqüilo, o tiozinho era gente boa pacas. E Ricardo... rapaz, esse pastou bonito. A moça começou apertando, querendo saber por onde ele tinha entrado, e porque não tinha carimbo de entrada no continente (nenhum de nós tinha, só o Naldoni, que foi em vôo diferente direto pra Madrid). Como a resposta foi confusa pela dificuldade de diálogo (nós entramos por Paris, mas na verdade chegamos a Madrid), a desgramada começou a apertar. Perguntou o que ele fazia, quanto ganhava na empresa, se a empresa tinha mais empregados, qual o faturamento, onde ele ia ficar, tudo com pressão. Ricardão se perdeu, e Juliano, que em tese poderia ajudar, também se perdeu – e ainda tomou uma fumada federal quando tentou ficar ao lado da cabine da atendente. Marcelo vai buscar a passagem que tava na bolsa, volta, a mulher abre o pacote e... não tem passagem nenhuma. Tensão total. Aí a derradeira questão: diga cinco atrações que você quer ver em Londres. No auge do nervosismo, Carne, brilhante, começa: “The Royal Palace (cara de merda da mulher)... the... Madame Tusseauts... Big Ben... Soccer Stadiums and... the Great (e fez um símbolo de bola com a mão).

Não dá pra explicar a piada. Só quem viu ao vivo e em cores. Esse “The Great” que o genial peladeiro mencionou é a London Eye, a maior roda gigante do mundo, quem não tem nada de “The Great”. A mulher fez uma expressão de “Jesus, que burro, dá zero pra ele” que não houve como não segurar o riso. Marcelo começou a falar com a dita cuja, explicar coisas da empresa, falar de quanto os dois ganhariam e quanto os empregados da empresa ganham, e o clima ficou mais descontraído. No fim, ela autorizou a entrada. E vocês pensam que isso foi tudo? Claro que não. Passamos por mais uma revista interna antes da Balsa e, já do outro lado, uma terceira fiscalização. Coisa de bandido, refugiado de país do Oriente Médio. A Balsa em si foi tranqüilidade, tanto que Ricardo, Naldoni e Juliano tomaram uma pra comemorar (uma de quatro euros ou onze reais, diga-se de passagem). E finalmente pisamos em solo inglês, trafegando por ruas e pistas de mão invertida por cerca de noventa quilômetros até o camping em que estamos agora.

Time for lunch, ou como nós dizemos, momento de bater uma chepa, pra depois ir à cidade e começar as visitas. Depois de tanto gasto alto (o camping também ficou salgadíssimo), melhor comer no motorhome mesmo. Aliás, o dinheiro aqui é mais caro ainda... um pound ou libra vale 1,5 euros. Desse modo, economia é o melhor remédio...

Bye!

Destaque do jogo: Grand Place, a praça central de Bruxelas.
O mais bizarro: Juliano soltando um número 2 no banheiro feminino.
Lance da noite: The Great... by Ricardo
O pior da noite: Estátua do mijão... bela porcaria.
O mais mortinho: Os caminhoneiros apagados na balsa.
Mais fominha: Waffle de Bruxelas... uma delícia.
Garçom: Jaime, e toda sua ajuda
Mais desleal: mulher que atendeu o Ricardo na alfândega.
Muralha: A imigração inglesa...
Gol mais bonito: Ferrari cromada que nos ultrapassou na estrada.