A viagem de Barcelona a Marseille – cerca de 500 km – se mostrou um inimigo complicado “pa nói”. Nem havíamos chegado à metade e, dado o cansativo dia anterior, a galera sucumbiu. O jeito foi encostar em um posto de beira de estrada (é, aqui isti é possível) e dormir por algumas horas. Sol no céu, povo descansado, continuamos o roteiro em direção ao território francês.
Primeira cagada do dia: tentar evitar os pedágios. As estradas sinuosas e os acessos difíceis nos fizeram perder tempo precioso. Tudo bem que a gente economizou uma penca de Euros, mas as horas de passeio perdidas e a própria dificuldade de dormir no Motorhome em movimento não compensam a tal economia. Por outro lado, as estradinhas vicinais – essas sem pedágio – permitem que a gente passe por cidadezinhas e vilarejos espetaculares. Foi numa dessas, por exemplo, que a gente encontrou dezenas de vinícolas (Sidão, você ia chorar). Muito embora não seja época de safra, pudemos ate mesmo pegar umas uvas da parreira (não o técnico) e comprar vinhos para os pais (além de uma garrafa de Sangria para consumo imediato).
Outra atração encontrada por acaso foi o estádio de Montpellier, palco da Copa do Mundo de Futebol da França de 98 e do Mundial de Rúgbi desse ano. A cidade em questão proporcionou, também, o retorno de alguém há muito esquecido: ele, o morcego mascarado, o herói de Gotham City, Bruce Wayne, Bátima, saltou do Bat-Motorhome e, para delírio dos locais, circulou entre carros que aguardavam no semáforo. Foi a primeira vez desde nossa chegada que pudemos ver a francesada rindo de não se agüentar. O homem-morcego ganharia logo em seguida a companhia da mulher-gato, e a dupla barbarizou as beiras de pista do país do Asterix.
Aportamos em Marseille por volta das 15h00. Após algumas trapalhadas na busca de um estacionamento, encontramos um capaz de acomodar o Motorhome. Marseille é excepcional, lindíssima, uma das mais belas da Europa. O porto central e os prédios que o cercam formam uma paisagem de cartão postal. Os pontos negativos: o trânsito, que é demais de confuso (não se sabe onde é calçada e onde é rua) e o frio, acentuado pela ventania cortante. Comprinhas de leve na loja do Olimpique (a gente não agüenta), rango no Mc Donalds (promoção especial de 2 Big Mc por 5€) e deu a hora de sentar o pé para Cannes.
A partir daí começa o lado rico do roteiro. Da nossa parte, foi o principio de uma sucessão de cagadas. Cannes é o Balneário dos milionários franceses (ou, segundo o Naldoni, um “Guarujá melhoradinho”). Na orla, situam-se os hotéis mais luxuosos, as lojas de altas grifes e os espaços famosos, como o salão em que se realiza o festival de Cannes. De repente, não mais que de repente, a galera avista um castelo no topo de um dos morros nas cercanias. Eis que Ricardo, desejoso de conhecer a fortaleza em questão, ordena a Naldoni, o condutor na oportunidade, que leve o Motorhome até o monumento. Mal sabiam os peladeiros, contudo, que as ruas de Cannes não foram feitas para a circulação de veículos de grande porte. O resultado da obra pode ser visto na foto logo abaixo, imagem que vale mais que mil palavras. Saldo: felizmente, apenas um pequeno arranhão na janela.
De Cannes a Mônaco são apenas cerca de 55 km. No entanto, as interdições na estrada e a nossa tremenda dificuldade em lidar com pedágios tornaram o trecho mais demorado do que se esperava. Depois de uma hora e meia de caminho, estávamos no principado mais famoso do mundo. Aqui, a gente se sente mais merda que a bosta do cavalo do bandido: tem Porsche, Ferrari, Lambourghini, Aston Martin, Bentley, tanto carro fudido que Audi e BMW parecem Fusca. O cassino de Mortecarlo e o hotel de Paris ostentam uma riqueza difícil de imaginar. Para não ficar por baixo, resolvemos investir nossos recursos em um jantar à luz de velas, na beira da marina: macarrão, arroz com bacon (manera no sal Naldoni!) e bebidas diversas. Pelo menos deu tempo de terminar a janta antes da policia nos expulsar.
O dia terminou com a partida para Milão. Na saída de Mônaco, uma passada pelo túnel do autódromo, onde o glorioso Senna pintava e bordava pra cima dos gringos. As ruas do circuito são mais estreitas do que a gente pensava. Pra ultrapassar ali o caboclo tem que ser bom de braço.
Aguardem a continuação das peripécias dos peladeiros, em direção à ITÁÁÁÁLIA! Arrivederci!!
Destaque do jogo: Cassino de Montecarlo
Lance da noite: Bátima no semáforo
Mais desleal: As ruas estreitas de Cannes
Lance bizarro: O Motorhome entalado
Garçom: Senhora em Marseille que evitou que parássemos em local proibido
Pior em campo: o trânsito de Marseille
Muralha: Goudet por falta de opção
Fominha: Não muita, hoje comemos bem.
