Onde é que a gente estava mesmo? Ah, é verdade, a gente tinha acabado de chegar a Londres, depois da fatídica parada na alfândega inglesa e de todo o rolo pra se entrar na terra da Rainha. O Camping tem um banheiro excelente, o que já conta pontos a favor, mas não possui internet. Paciência, o negócio é deixar tudo prontinho e procurar um cyber café na cidade. A louça tá imunda do dia do strogonoff ainda, mas ninguém se habilitou a lavar. Louça é um problema. Todo mundo dá de migué, finge que não é consigo, e a coisa vai ficando feia até o limite do absurdo, hora que alguém assume por absoluta impossibilidade de convivência no ambiente. O Motorhome... bom, esse tá um lixo de sujo, além de desorganizado. Tem roupa pra tudo que é lado, roupa molhada, roupa encardida... definitivamente alcançamos o limite do chiqueiro. Isso desprezando o fato de que, a cada exatos cinco minutos, um solta um peido barulhento (80% das vezes é o Naldoni, o campeão mundial de peido e arroto) e impesteia o ar. Olha, dá inveja de quem mora em cocheira.
Tomamos o ônibus e descemos no ponto perto do Museu Imperial da Guerra, nossa visita inicial. Trata-se de um museu criado para a exposição de armas, utensílios, imagem, sons e tudo o mais existente no que se refere a conflitos mundiais em que a Inglaterra tomou parte, especialmente primeira e segunda grandes guerras mundiais. Há aviões, submarinos, canhões, armas, roupas, medalhas, objetos de judeus exterminados, um mundo de coisas pra se ver. A gente passou cerca de três horas no dito cujo e viu metade ou menos da bugiganga. Muito legal, um troço diferente. Havia até uma trincheira da primeira guerra onde você entrava e via o clima do lugar. Havia também uma da segunda, mas essa foi bem porcaria, estilo feira de ciências do Colégio Doctus – exceto pelo cheiro, que era igual ao cheiro de destruição, de pólvora e escombros.
De lá, novo bumba até o centrão da cidade, e uma parada relâmpago na National Galerry, o museu londrino de pinturas mais famoso. Não deu pra aproveitar muito bem, eis que a gente chegou em torno das cinco e quinze e o museu fechava às seis, mas pelo menos pudemos olhar as principais obras de arte, as pintadas por artistas de renome – Rafael, Caravaggio, Michelangelo e Da Vinci. Pra ser sincero, achamos quadros de outros pintores desconhecidos muito mais legais, realistas e bonitos. Mas se o mundo quis assim... uma das versões do quadro da Virgin on the Rocks, feito duas vezes por Da Vinci e mencionado no livro “O Código Da Vinci”, esta aqui, e foi apreciado pela tropa. Trata-se da versão mais leve, a que ele refez depois de a Igreja Católica ficar pê da vida com o primeiro - que está no Louvre, ou seja, vai dar pra comparar quando estivermos em Paris.
Pit stop para refeição – a primeira do dia – no sempre útil Mc Donalds, paga com Cartão de Crédito tendo em vista que ainda não tínhamos dinheiro local. Bucho cheio (se bem que Mc Donalds é uma desgraça, você come pra caraca e duas horas depois já está com fome de novo), aproveitamos pra fazer a seção comprinhas de souvenirs. É ursinho pra cá, canequinha pra lá, camiseta e blusa, postal e bottom. Enfim, hora de procurar um cyber café, ou uma lan house, para acessar a net e atualizar o blog. Embrenhamo-nos pelo bairro de ChinaTown, uma espécie de “Liberdade” deles, onde só tem restaurante china, loja de china, poste de china e badulaques de china. Entramos em uma porta sinistra e subimos por uma escadinha daquelas de filme do Van Damme, em que ele enfrenta trinta e cinco inimigos que vão saindo não se sabe de onde e levando pancada. O próprio salão dos computadores era bizarro, chio de pôsteres japoneses e moleques velhos de olho puxado assistindo desenho animado, cantando e rindo escandalosamente. Espetacular.
Nove da noite aqui, sete da noite aí, e era hora do quê? Jogo da seleça. Metemos a cara, perguntamos pro povo e descobrimos um bar nas redondezas que transmite jogos de futebol. E o que estava o al bar transmitindo? O jogo da canarinho. Lotado de brazucas, acomodamo-nos e assistimos à partida. Curioso é que, no mesmo ambiente, tinha uma penca de americano imbecil assistindo jogo de futebol americano, o da bolinha oval. Povo besta. Ricardo, Naldoni e Juliano, o trio cachaça, envergaram algumas brejas (Placar de Juliano 3, Ricardo e Naldoni 2 cada). Vale mais uma vez enfatizar: cada ceva aqui custa a pechincha de 3,30 pounds, ou, em reais, algo em torno de 16,50. E não tem ouro na cerveja...
Depois, aproveitamos para conhecer alguns lugares que ficam fudidos durante a noite. Caminhamos pela famosa Whitehall Street, onde ficam a guarda da Cavalaria Real e a residência oficial do Primeiro Ministro inglês. Adiante, demos de cara com a maior atração londrina, o glorioso Big Ben. Aliás, para os desinformados de plantão, o Big Ben não é aquele relogião que a gente vê na televisão, e sim o sino que fica dentro do tal relógio. Ao lado da torre do Big Ben, no prédio anexo, fica o Parlamento da Inglaterra, e, atravessando a rua, a Abadia de Westminster, local de coroação dos monarcas britânicos e onde foi velada a princesa Diana. Seguindo para a direção oposta, cruzamos a ponte do Rio Tamisa, de onde se vislumbra a maravilha da London Eye (a “the Great...” de Ricardo), toda acesa. Considerando que o porco do Carlão não agüentava mais andar (céticos, vocês terão uma surpresa quando o virem), voltamos até o ponto de ônibus e, sob a insistente chuva, retornamos ao camping.
Dia de galera pregada, melhor descansar bastante pra segurar o tranco de amanhã. Temos dezenas de lugares ainda a visitar, Londres é a cidade mais cheia de atrações de todo o passeio. Tá todo mundo louco pra ver o Madame Tusseauds e o palácio de Buckingham. Hasta Luego, Tchüss, Goodbye ou coisa que o valhe (aqui é foda, se escuta todo tipo de língua...).
Destaque do jogo: Museu da Guerra. Cansativo, mas interessante.
Pior em campo: A chuva, que vai e volta e enche muito o saco.
Lance bizarro: O teatrinho do bunker no museu da guerra. Dava pra fazer coisa melhor.
Gol mais bonito: O Big Ben... emociona.
Mais mortinho: No museu da guerra? Era só o que tinha...
Mais fominha: Mc Donalds, pra variar.
Lance da noite: Jogo da seleça num pub londrino. Demais.
Garçom: Sem brilhantismo. Pequena menção à japinha da internet que nos cobrou menos.
Muralha: George Banks, defendendo cabeçada de Pelé na Copa de 70.
ERRATA: Em edição passada, afirmamos que não conhecíamos ninguém que houvesse passado por Bratislava. Na verdade, a cidade foi de certa forma indicação do grande amigo Rafones Braga, que realizou excursão recente pelo Leste Europeu. Pedimos desculpas ao nosso Obina branco, aproveitamos para mandar um grande abraço e agradecer o e-mail e, ainda, para dizer que, quando qualquer um aqui solta uma expressão, digamos, delicada, nós nos utilizamos frequentemente de um expediente tipicamente Rafaelístico: “ÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍHHHHH!!!! BIIIIIIIIIICHAAAAAAAA!!!!!”
